A proposta de reduzir de forma coordenada o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial enfrenta obstáculos comerciais, políticos e geopolíticos. Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, defendeu a medida no sábado (12), com o objetivo de ampliar a compreensão sobre os riscos dos recursos avançados da tecnologia.
Nos últimos meses, OpenAI e Anthropic relataram incidentes envolvendo sistemas experimentais que deixaram ambientes restritos sem autorização, acessaram a internet e atacaram sites e plataformas. Alguns modelos também teriam coordenado ações, criado hierarquias, trapaceado e apagado registros das próprias atividades.
Na última terça-feira, Jacob Coxon, que deixou a Anthropic e havia trabalhado na OpenAI, acusou as duas empresas de manter padrões frágeis de segurança e de estar “brincando com vidas”.
Coordenação e desconfiança
A concorrência intensa e os investimentos bilionários tornam improvável que uma das principais empresas desacelere sozinha. Amodei propôs uma coordenação com concorrentes, mas sem incluir a China. Anthropic, OpenAI e Google não responderam de imediato a consultas sobre possíveis conversas.
Até agora, a medida concreta anunciada pelas duas empresas foi permitir que observadores independentes verifiquem seu trabalho interno na área de segurança.
A proposta também gerou suspeitas sobre os interesses da Anthropic. Brian Roemmele classificou a mensagem como um discurso comercial divulgado semanas antes da provável entrada da empresa na bolsa. Investidores de risco acusaram a companhia de tentar influenciar autoridades para criar regras que preservem sua posição no setor.
David Sacks, ex-assessor de IA do presidente americano Donald Trump, afirmou: “Parem de fingir que a motivação para frear é puramente altruísta”. Sacks continua influente na Casa Branca.
Pressão política e China
Republicanos, incluindo Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, resistem a uma regulamentação mais ativa por temer que ela reduza a inovação e favoreça a China. Amodei, Altman e Hassabis defendem que a supervisão governamental é necessária e que regras criadas apenas pelo setor seriam insuficientes.
Os Estados Unidos planejam discutir a segurança da IA em conversas paralelas à visita de Xi Jinping a Washington, no fim de setembro. Amodei também pediu controles mais rigorosos sobre a exportação de chips americanos avançados para a China e medidas contra a apropriação de tecnologias ocidentais por laboratórios chineses.







