SÃO PAULO — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (19) a criação de uma força-tarefa para supervisionar a regulamentação da inteligência artificial. Ele também afirmou que indicará em breve um responsável, chamado de “czar”, para a área.
Trump disse que o governo não pretende impedir o avanço do setor, mas que poderá recorrer aos sistemas de Justiça criminal e civil existentes para lidar com problemas relacionados à tecnologia. “Não vamos, de forma alguma, impedir ou sufocar o crescimento desse setor incrível”, escreveu o presidente no Truth Social.
A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário sobre o anúncio. No início da semana, Trump havia afirmado que os Estados Unidos já tinham medidas de segurança para regulamentar empresas de IA e processá-las judicialmente.
Pressão por regras e segurança
O debate sobre os riscos da inteligência artificial aumentou depois que Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic, anunciou sua demissão na semana passada. Ele afirmou que pessoas que desenvolvem IA acreditam que a tecnologia poderia matar todos até o final da década.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu em um artigo publicado no sábado (12) que o governo dos Estados Unidos exija auditorias independentes para os modelos de IA mais avançados, chamados de modelos “de fronteira”. A proposta prevê uma estrutura em três etapas para reduzir o ritmo de desenvolvimento e administrar os riscos.
A ideia recebeu apoio de executivos de empresas de inteligência artificial, entre eles Elon Musk, da xAI, e Sam Altman, CEO da OpenAI.
A política de Trump também está ligada à disputa tecnológica com a China. O presidente afirmou que a desconfiança em relação ao desenvolvimento da IA beneficiaria o país asiático e criticou o que chamou de uma conspiração contra a tecnologia e os data centers.
Trump e Xi Jinping devem se reunir em Washington na próxima semana. O líder chinês chegará à capital norte-americana na quarta-feira (23). Na quinta-feira (24), Trump e a primeira-dama, Melania Trump, receberão Xi e Peng Liyuan na Casa Branca.
Autoridades dos Estados Unidos disseram que a inteligência artificial será discutida nas conversas com a China. Os dois países consideram os avanços no setor importantes para a competitividade econômica e militar, mas divergem sobre chips avançados, alegações de cópia de tecnologia e regulamentação.








