Uma planilha intitulada “Pó amigo do TH” e mensagens trocadas com o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, são apontadas pelo Ministério Público Federal como indícios de que Thiego de Oliveira Santos, o TH Joias, atuava na venda e no controle de pagamentos relacionados a drogas.
Em novembro de 2023, a tabela enviada pelo ex-deputado listava valores a serem abatidos de uma dívida. O saldo indicado era de R$ 96.190. Para o MPF, o documento confirma a venda de entorpecentes e a participação de TH Joias na intermediação, no controle e no recebimento dos pagamentos.
Conversas descritas na denúncia
A denúncia da Operação Zargun relata diálogos em três datas. Em fevereiro de 2024, TH Joias enviou a Índio do Lixão um vídeo que mostrava uma sala com sacos de maconha e depois escreveu: “Tem 200 kg”. O interlocutor respondeu: “Isso não é bom de vender não”.
Outra conversa ocorreu em 27 de junho de 2024, 15 dias depois de TH Joias assumir uma cadeira de deputado estadual pelo MDB. Segundo a acusação, ele tentou aproximar um intermediário não identificado de Índio do Lixão para viabilizar uma venda de drogas.
O MPF afirma que, mesmo sem confirmação de que a transação tenha sido concluída, a oferta seria suficiente para caracterizar tráfico de drogas. TH Joias também responde por contrabando, corrupção ativa e organização criminosa.
A denúncia contra o ex-deputado e outros quatro acusados foi recebida nesta sexta-feira (11) pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que retirou o sigilo do processo. O advogado Rafael Faria disse que não comentaria as acusações. Durante a investigação, ele negou que o réu tivesse participado de vazamentos ou fornecido informações a organizações criminosas.
Trajetória política e investigação anterior
TH Joias tomou posse em 12 de junho de 2024, após a morte de Otoni de Paula Pai. Ele era o segundo suplente, enquanto o primeiro, Rafael Picciani, foi nomeado secretário na gestão de Cláudio Castro. O ex-deputado concorreu pelo MDB em 2022 e recebeu 15 mil votos. Após ser preso, em setembro de 2025, foi expulso do partido.
Ele já havia sido preso em 2017 e condenado por lavagem de dinheiro. Na ocasião, a investigação apontou o uso de uma joalheria para lavar dinheiro do tráfico e o repasse pago de informações recebidas de policiais a facções. Ele permaneceu nove meses preso.








