ÁDEN/DUBAI — Novos ataques contra a Arábia Saudita e embarcações no Golfo Pérsico aumentaram a tensão no Oriente Médio e ameaçam ampliar as interrupções no abastecimento global de petróleo. O oleoduto saudita atingido e o avanço dos houthis, do Iêmen, estão entre os principais pontos de preocupação.
Os mercados de petróleo devem reagir com novas altas na segunda-feira, quando forem reabertos. A Arábia Saudita é o maior exportador mundial, e os ataques colocam em risco parte de sua capacidade de envio.
Ataques no Golfo e na Arábia Saudita
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que uma embarcação foi atingida por um projétil enquanto passava pelo Estreito de Ormuz. O impacto provocou um incêndio e levou à retirada da tripulação. O Irã informou que uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos após uma embarcação comercial iraniana ser atingida na costa do país.
Na província saudita de Jazan, no sul do país, a mídia estatal divulgou imagens de danos em residências e em uma mesquita atribuídos a um ataque transfronteiriço dos houthis. O grupo também afirmou ter atacado uma base militar saudita em uma província vizinha.
Cidades do sul da Arábia Saudita vêm recebendo alertas desde a semana passada. Na sexta-feira, ataques com drones danificaram um oleoduto de 1.200 km que cruza a Península Arábica de leste a oeste e contorna o Estreito de Ormuz, principal rota alternativa para o abastecimento global de petróleo do Oriente Médio.
No mesmo dia, os houthis capturaram a Ilha de Perim, situada no Bab El-Mandeb, estreito que controla a entrada do Mar Vermelho.
Estoques e preços
O petróleo superou US$100 na semana passada, pela primeira vez desde julho. Nos Estados Unidos, o preço de varejo do diesel passou de US$6,20 o galão no domingo, atingindo outro recorde histórico.
Petróleo armazenado no porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, seria suficiente para manter as exportações por cinco a sete dias caso o oleoduto continue fechado. Depois desse período, até 4% do abastecimento global de petróleo pode ficar comprometido, além dos volumes já afetados pela interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz.
A Arábia Saudita não informou a extensão dos danos nem o prazo para a retomada da operação. Estimativas sobre o reparo variam de dias a semanas, enquanto imagens de satélite mostraram grandes colunas de fumaça em pontos do oleoduto.








