FRANÇA — O calor extremo e a seca na região de Champagne elevaram o açúcar das uvas e levaram as autoridades do setor a autorizar, de forma excepcional, champanhes com até 15% de teor alcoólico. O limite anterior era de 13%.
A mudança deve atingir apenas uma pequena parcela dos vinhos da safra de 2026. Uma porta-voz do Comitê de Champagne afirmou que alguns deles podem ter chegado a cerca de 13,1% ou 13,2% durante a segunda fermentação, etapa que produz as bolhas da bebida.
A associação informou que a colheita começou no início de agosto e foi a mais precoce já registrada na região. A safra foi marcada por fortes geadas na primavera, floração antecipada e cinco ondas de calor durante o verão.
Mudanças no clima
O Comitê de Champagne avalia que condições semelhantes podem se tornar comuns “em 10 ou 15 anos”, devido ao aquecimento do clima. Stéphane Vignon, produtor de Verzenay, disse que o clima mediterrâneo está avançando para o norte e que esse pode ser o início de um novo ciclo.
A especialista em vinhos Jane Anson afirmou que o maior teor alcoólico provavelmente não será um atrativo para os consumidores, que têm demonstrado preferência por bebidas com menos álcool. Ela também apontou uma tensão entre essa preferência e as condições naturais enfrentadas pelos produtores.
A safra de 2026 deve chegar às prateleiras apenas em 2028, porque o champanhe precisa envelhecer por pelo menos 15 meses. Maxime Toubart, copresidente do Comitê de Champagne, disse que a possibilidade de um clima mais quente torna provável que essa colheita atípica se transforme em padrão “em 10 ou 15 anos”.
A Europa é o continente que aquece mais rapidamente, com aumento de temperatura duas vezes maior que a média global, segundo o serviço climático Copernicus. A França também enfrentou incêndios florestais provocados pelas condições climáticas extremas deste ano.








