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Casos em Bonn expõem efeitos do exibicionismo sobre crianças e mulheres

Famílias reuniram 26 relatos de crianças abordadas em Bonn, enquanto a polícia recebeu 120 denúncias desde 2024.

Casos em Bonn expõem efeitos do exibicionismo sobre crianças e mulheres

A polícia de Bonn recebeu 120 denúncias de exibicionismo desde 2024 até 19 de julho de 2026. Desse total, 71 ocorreram na região onde moravam famílias que reuniram relatos de 26 crianças abordadas entre outubro de 2024 e maio de 2026. Suspeitos foram identificados em 26 casos até meados de agosto, segundo as autoridades locais.

As abordagens descritas pelas famílias tinham contornos semelhantes. Em um dos episódios, um homem chamou Jonas, de 8 anos, e uma amiga com a desculpa de procurar um gato preto. Depois, abriu as calças e mostrou a genitália às crianças. O mesmo adulto teria abordado outro menor pouco depois.

A mãe de Jonas afirmou que passou a acompanhar mais os horários e os trajetos do filho. O menino deixou de caminhar até a escola e passou a ir de bicicleta. Após o episódio, ele pediu desculpas, como se tivesse responsabilidade pelo ocorrido, e começou a ter pesadelos frequentes. Ao voltar ao local, ainda procurava o gato mencionado pelo homem.

Reações e orientação às famílias

A psicóloga Anke Voßhenrich, do Centro de Aconselhamento contra Violência Sexualizada em Bonn, estima ter atendido uma dezena de menores vítimas de episódios exibicionistas ao longo de sua carreira. Ela afirma que as crianças podem questionar se deveriam ter seguido outro caminho ou agido de forma diferente.

Mia, de 9 anos, também passou a ser acompanhada depois de uma abordagem. A menina chegou em casa chorando e não dormiu nas duas primeiras noites. A família buscou ajuda psicológica, e ela passou a carregar uma pedrinha para segurar quando sentisse medo.

Voßhenrich recomenda que os adultos deixem claro à criança que ela não tem culpa e que nenhum adulto pode expor a genitália a ela. Em uma situação desse tipo, a orientação é dar o mínimo de atenção possível ao autor e procurar imediatamente a própria casa ou outro local seguro.

Crime e transtorno parafílico

O exibicionismo é associado a um transtorno parafílico quando se torna um padrão intenso de excitação sexual atípica que causa danos ou riscos à pessoa que se exibe ou às vítimas. Os alvos mais frequentes são mulheres jovens, adolescentes e crianças. Os autores são quase sempre homens e, em geral, agem com roupas que podem ser abertas e fechadas rapidamente.

Na Alemanha, foram registrados 7.581 casos contra adultos e 1.496 contra crianças até 14 anos no ano passado. Entre os suspeitos, havia 67 mulheres e 4.756 homens. Para vítimas adultas, o Código Penal alemão prevê até um ano de prisão ou multa. Quando a vítima tem até 14 anos, a conduta entra em uma categoria mais ampla, com pena de seis meses a dez anos.

Elizabeth Jeglic, professora de Psicologia na Faculdade John Jay de Nova York e coautora de um estudo com 459 estudantes de graduação nos Estados Unidos, afirmou que o medo e a desconfiança podem causar trauma. Entre os efeitos descritos estão sentimentos de violação, nojo, culpa e vergonha, além de mudanças de comportamento e sofrimento de longo prazo.

Registros no Brasil

No Brasil, não há dados específicos sobre exibicionismo. A importunação sexual, crime tipificado em 2018, inclui condutas de natureza sexual praticadas sem consentimento, como toques, gestos e abordagens inapropriadas. A pena prevista é de um a cinco anos de reclusão.

Em 2025, foram registrados 41.425 casos de importunação sexual no país, contra 1.352 em 2018 e 13.576 em 2019. No Rio de Janeiro, houve 2.723 registros contra meninas e adultas no ano passado. As vítimas de 18 a 29 anos representaram 35% do total, e as de 0 a 17 anos, 27%.

Vanessa Campagnac, vice-presidente do Instituto de Segurança Pública, afirmou que a tipificação ajuda a combater a normalização dessas agressões e defendeu preparo dos policiais para evitar a revitimização de quem denuncia.

A subnotificação é apontada como regra por especialistas. As vítimas enfrentam dificuldade para provar abordagens sem contato físico, muitas vezes ocorridas em locais pouco movimentados. Em Bonn, um suspeito foi preso provisoriamente desde 2024 e depois liberado por falta de motivos para a prisão, conforme análise do Ministério Público.

A polícia de Bonn informou às famílias, em uma carta de junho, que a repetição dos casos era uma preocupação. A corporação disse ter reforçado o patrulhamento, inclusive com operações à paisana, e reunido as investigações em uma unidade especializada.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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