O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou neste domingo (6.set.2026) o pedido para que o plenário da Corte analise o procedimento que envolve conversas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes e referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O caso é relatado pelo presidente do STF, Edson Fachin. Ele deu prazo de 5 dias úteis, contado a partir de 5ª feira (3.set), para que Mendonça, Moraes, Gonet e Andrei se manifestem. O prazo termina na 6ª feira (11.set), e a análise deve ocorrer depois de 14 de setembro.
Relatório da Polícia Federal
A apuração teve origem em um relatório da Polícia Federal elaborado a partir da análise do celular de Vorcaro, fundador do Banco Master. O documento tem 218 páginas e reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho.
Mendonça determinou na 3ª feira (1º.set) a retirada do sigilo do relatório. Na mesma decisão, defendeu que as questões fossem examinadas pelo plenário do Supremo de forma “pública e transparente, em sessão presencial”. O pedido apresentado neste domingo formaliza a submissão do caso ao colegiado.
As conversas analisadas incluem diálogos de Vorcaro com autoridades e pessoas próximas ao poder. O relatório também traz informações relacionadas a Moraes, Gonet e Andrei. Segundo o documento, parte das mensagens foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp, o que impede a reconstrução integral de alguns diálogos.
A análise sobre o plenário considera as autoridades envolvidas. O artigo 5º do Regimento Interno do STF estabelece que cabe ao colegiado processar e julgar, por crimes comuns, os próprios ministros da Corte e o procurador-geral da República. Andrei integra o procedimento, embora não tenha a mesma prerrogativa de foro de Moraes e Gonet.
Na 5ª feira (3.set), Moraes pediu a investigação de Mendonça no inquérito das fake news por abuso de autoridade. Na 6ª feira (4.set), Fachin retirou o pedido desse inquérito e determinou sua inclusão no procedimento relacionado ao relatório da Polícia Federal.
O relatório foi entregue pela PF em 27 de agosto de 2026, a pedido de Mendonça. Ele foi produzido no contexto da operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB. Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025.







