SÃO PAULO — Os alertas de desmatamento no Cerrado caíram 19% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado. A Amazônia teve movimento contrário, com alta de 12%, segundo dados do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial).
No Cerrado, foram identificados 238 km² de vegetação nativa perdidos no mês, ante 294 km² em 2025. Na Amazônia, o desmatamento passou de 319 km² no ano passado para 358 km² em 2026.
O Deter emite alertas para orientar ações de fiscalização. Os números oficiais de desmatamento são produzidos pelo Prodes, também do Inpe, considerado mais preciso e divulgado anualmente.
Acumulado no ano
De janeiro a agosto, o desmatamento caiu 7% no Cerrado e chegou a 3.810 km². Na Amazônia, a redução foi de 31%, com 2.041 km² acumulados em 2026.
A perda somada nos dois biomas se aproxima de 6.000 km². A área equivale à de Brasília, de 5.760 km², ou a quatro vezes a cidade de São Paulo, que tem 1.521 km².
Na Amazônia, Pará, com 705 km², Mato Grosso, com 611 km², e Amazonas, com 347 km², lideram os registros neste ano. No Cerrado, os maiores índices são de Maranhão, com 1.025 km², Tocantins, com 934 km², Piauí, com 420 km², e Mato Grosso, com 414 km².
Julho, agosto e setembro costumam concentrar o desmatamento na Amazônia por serem meses mais secos. No Cerrado, a estiagem começa antes, em maio, e tende a durar mais.
Áreas de recarga hídrica
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, assinou uma portaria que cria as Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado (APRHIC). A medida indica regiões para concentrar ações de conservação e restauração.
O Cerrado abriga as nascentes de 8 das 12 bacias hidrográficas do país. De acordo com o levantamento, 51,2% da área do bioma é prioritária para a recarga hídrica. As áreas mapeadas podem ser consideradas em licenças para autorizar desmatamentos.
Capobianco também assinou uma portaria que regulamenta modalidades de pagamento por serviços ambientais, com modelos de repasse para projetos de preservação em propriedades privadas.
“Quando esse mecanismo apresenta as areas prioritárias, permite organizar melhor os investimentos”, disse o ministro. Para Yuri Salmona, diretor executivo do Instituto Cerrados, o mecanismo reconhece a importância do bioma para a segurança hídrica brasileira.








