PARAGOMINAS — A floresta amazônica pode voltar a crescer depois de uma queimada, mas incêndios recorrentes alteram sua estrutura, sua composição e a diversidade de espécies. Estudos mostram que a recuperação depende da intensidade do fogo, do uso anterior da área e da distância até fontes de sementes.
Na floresta amazônica de terra firme, as queimadas eram raras e estavam associadas a períodos de seca excepcional e ao manejo indígena. A conversão de áreas em pastagens e a exploração madeireira aumentaram a vulnerabilidade da vegetação ao fogo.
Pesquisas realizadas em Paragominas, no leste do Pará, indicam que locais submetidos a uso intenso podem ficar dominados por gramíneas, como capins e outras plantas de folhas estreitas. Em áreas próximas a trechos preservados, a regeneração natural é favorecida pela chegada de sementes.
No Baixo Tapajós, estudos em florestas manejadas por populações tradicionais da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns apontaram redução de 44% na biomassa acima do solo depois de um incêndio e de 71% depois de 2. A riqueza da fauna caiu pela metade depois de 2 incêndios.
A floresta madura passou a formar um mosaico dominado por espécies pioneiras de vida curta e por espécies menos sensíveis ao fogo. Com a repetição das queimadas, a vegetação pode ser empurrada para um estado dominado por gramíneas, que também é mais inflamável. As árvores amazônicas têm casca mais fina e são mais vulneráveis ao fogo.
Prevenção e restauração
O cerrado tem dinâmica diferente: plantas do bioma apresentam características que ajudam na sobrevivência às queimadas, como casca espessa, órgãos subterrâneos de reserva e capacidade de rebrotar.
Na Amazônia, a restauração proposta combina conhecimentos ecológicos e tradicionais. Entre as medidas estão o manejo integrado do fogo, brigadas comunitárias, redução das fontes de ignição, condução da regeneração natural e enriquecimento das áreas com espécies prioritárias.
Também são previstas ações de apoio a redes de sementes e à organização comunitária. Em comunidades indígenas da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, moradores reconhecem causas e consequências da degradação provocada pelo fogo e demonstram disposição para participar da recuperação.
A regeneração da floresta amazônica, portanto, depende de ações para reconstruir o ecossistema e não significa necessariamente o retorno à composição e à estrutura originais.








