A equipe do projeto Ecotuba vai analisar tubarões e condições ambientais no litoral da região metropolitana do Recife durante 24 meses. A iniciativa prevê a marcação de até 50 animais e é coordenada pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
A primeira atividade, realizada nesta sexta-feira (4), foi uma saída piloto para testar equipamentos, embarcação e procedimentos de pesquisa. As próximas expedições estão previstas para domingo (6) e segunda-feira (7).
“O que realizamos hoje foi uma saída piloto, a função dela é testarmos o equipamento, a embarcação e a metodologia do projeto”, afirmou Danise Alves, secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). Segundo ela, a etapa inicial permite fazer ajustes antes das próximas operações.
Como será a pesquisa
Os animais serão capturados por meio de pesca com espinhel, técnica que usa anzóis presos a cabos resistentes e iscas de peixe. A bordo, os procedimentos seguirão as normas do Comitê de Ética no Uso de Animais (Ceua), conforme a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha.
Durante o manejo, os olhos dos tubarões serão cobertos com tecido escuro para reduzir o estresse. Os pesquisadores vão medir o corpo, identificar o sexo, fazer ultrassonografia em fêmeas e coletar amostras de tecido e sangue para análises genéticas e de biomonitoramento.
Cada animal receberá uma etiqueta individual na base da primeira nadadeira dorsal e um microchip implantado por procedimento cirúrgico na região ventral. A equipe também registrará temperatura da superfície do mar, ventos, correntes, salinidade e turbidez da água.
O grupo terá seis pesquisadores e dará preferência ao estudo das espécies tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), relacionadas aos incidentes na região. O projeto inclui ainda ações de educação ambiental e ciência cidadã.
Incidentes e financiamento
Em 2026, foram registrados três incidentes com tubarões no litoral do Grande Recife. Deivson Rocha Dantas, 13 anos, morreu após ser mordido na Praia de Del Chifre, em Olinda, em 29 de janeiro. Em 31 de maio, João Lucas Castor Nemezio Sales, 11, foi mordido na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes; ele teve a perna esquerda amputada e recebeu alta em 6 de julho. No dia seguinte, Marcela Vitória de Lima Santos, 19, perdeu a perna direita após um ataque na Praia de Boa Viagem e recebeu alta em 11 de julho.
O projeto recebeu R$ 2,052 milhões: R$ 1,052 milhão da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, por meio da Facepe, e R$ 1 milhão do Fema.
O Cemit registra 84 ocorrências em Pernambuco desde 1992. Desse total, 70 aconteceram na região metropolitana e 14 em Fernando de Noronha. Atualmente, o monitoramento contínuo ocorre apenas no arquipélago, também sob coordenação da UFRPE.
Para Paulo Oliveira, professor e pesquisador do Ecotuba, os dados poderão orientar a população sobre formas mais seguras de entrar no mar.








