O IPCA caiu 0,32% em agosto, na primeira deflação registrada no Brasil em um ano, informou o IBGE. A queda dos preços foi influenciada principalmente pelas tarifas de energia elétrica e pelo grupo de alimentação e bebidas.
A energia elétrica residencial ficou 7,63% mais barata. O resultado refletiu o Bônus de Itaipu, que gerou um abatimento de R$ 872,1 milhões nas contas de 83,8 milhões de consumidores. O desconto compensou a cobrança da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Alimentos e transportes
Os preços de alimentação e bebidas recuaram 0,34%, no terceiro mês seguido de queda. As maiores baixas foram registradas pela batata-inglesa, com -19,89%, pela cenoura, com -11,22%, pela cebola, com -11,07%, pelo tomate, com -10,94%, pelo ovo de galinha, com -4,15%, e pelo café moído, com -1,86%.
Também houve altas no grupo, como as do leite longa vida, de 1,78%, das frutas, de 0,84%, e das carnes, de 0,61%. A alimentação fora de casa subiu 0,36%, com aumentos de 0,18% nas refeições e de 0,62% nos lanches.
Os combustíveis ficaram 0,91% mais baratos em agosto. O etanol caiu 3,95%, o óleo diesel recuou 0,80% e a gasolina teve baixa de 0,59%. O gás veicular subiu 2,62%. As passagens aéreas diminuíram 13,17%, contribuindo para a queda de 0,86% no grupo de transportes.
A alta de 1,3% nas despesas pessoais limitou a deflação. O cigarro subiu 19,59% e teve o maior impacto positivo no resultado, de 0,11 ponto percentual.
Inflação acumulada e juros
Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,22%, menor nível desde fevereiro, quando estava em 3,81%. No mesmo período do ano passado, a taxa acumulada era de 5,13%.
O índice permaneceu, pelo segundo mês consecutivo, dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. A meta é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual, entre 1,5% e 4,5%.
O Banco Central define na próxima quarta-feira (16) o novo patamar da Selic. A mediana do Boletim Focus prevê redução de 0,25 ponto percentual na taxa e encerramento do ano em 13,75% ao ano. As projeções para o fim do ano variam de 12,75% ao ano, uma queda de 1,25 ponto percentual, à manutenção do nível atual de 14% ao ano.
Para setembro, as expectativas do mercado financeiro apontam alta de 0,53% no IPCA, a maior para o mês desde 2021, quando ficou em 1,16%. O efeito da retomada da cobrança integral das contas de luz e os primeiros efeitos do El Niño sobre os alimentos são apontados como fatores de pressão sobre a inflação.








