Os rendimentos dos títulos globais subiram nesta sexta-feira, com o Treasury dos Estados Unidos de 10 anos se aproximando de 5%. A alta do petróleo para acima de US$ 100 por barril elevou os temores de inflação e aumentou a pressão por juros mais altos no curto prazo.
Os títulos de referência de 10 anos das economias do G7 avançaram, em média, quase 19 pontos-base nesta semana. Foi a pior queda semanal desde o início da guerra no Oriente Médio, que já dura mais de seis meses. Nos papéis de dois anos, mais sensíveis às expectativas de inflação e juros, a alta média foi de 22 pontos-base.
Itália e Reino Unido, grandes importadores de energia, registraram alguns dos maiores aumentos. Para Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank, “são os temores geopolíticos que estão impulsionando tudo”.
Inflação e decisões dos bancos centrais
O Banco Central Europeu elevou os juros na quinta-feira e afirmou que as pressões sobre os preços podem durar. Nos Estados Unidos, dados de agosto sobre os preços ao produtor reforçaram as apostas de uma alta dos juros na próxima reunião do Federal Reserve, marcada para a próxima semana.
O avanço do endividamento público em mercados desenvolvidos também levou investidores a exigir uma remuneração maior pelos títulos soberanos. Esses rendimentos servem de referência para outros ativos financeiros e influenciam hipotecas, financiamentos de automóveis e de consumo, além de empréstimos corporativos e municipais.
O Treasury de 10 anos atingiu 4,979% no pregão asiático, maior nível desde o final de 2023. Mansoor Mohi-uddin, estrategista-chefe de macroeconomia do Bank of Singapore, afirmou que preços mais altos do petróleo, inflação, decisões dos bancos centrais e déficits fiscais estão pressionando os rendimentos globais.
Uma alta sustentada acima de 5% é considerada por alguns analistas um limite que pode tornar os títulos mais competitivos em relação às ações. O rendimento não permaneceu por período significativo acima dessa marca desde 2002, exceto por breves períodos no final de 2023 e nos anos de 2006 e 2007.
No Japão, os títulos públicos de 10 anos subiram 6 pontos-base, para 2,97%. Na Alemanha, os papéis de 10 anos avançaram 1 ponto-base, para 3,503%. Na França, os rendimentos ficaram estáveis em torno de 4,429%, máxima de 16 anos.








