SÃO PAULO — A Justiça de São Paulo manteve uma medida cautelar que dificulta a venda ou a transferência de bens de três fundos administrados pela CBSF DTVM, antiga Reag. Juntos, Astralo 95, Anna FIC FIDC NP e RR FIDC NP têm R$ 38,2 bilhões em ativos.
A decisão foi confirmada nesta segunda-feira (14), enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa o caso envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e a atuação de ministros da Corte.
Medida para preservar ativos
O pedido foi apresentado pela EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante do Master. A empresa tenta recuperar bens e recursos que, segundo sua avaliação, teriam sido retirados do banco antes da liquidação.
O instrumento usado foi um protesto contra alienação de bens. A medida não bloqueia nem congela os ativos. Ela comunica que os bens são objeto de disputa e que uma eventual venda poderá ser questionada posteriormente.
A iniciativa pode anteceder ações revocatórias, usadas para tentar desfazer negócios realizados antes da liquidação quando houver avaliação de prejuízo ao patrimônio do banco. Desde março, a EFB também busca fundos, empresas e outros veículos que teriam recebido recursos do Master.
Segundo o liquidante, o Astralo recebeu recursos diretamente do Fundo Máxima 2, controlado pelo Master, sem justificativa econômica aparente. A documentação levada à Justiça menciona “indícios de fraude e dilapidação patrimonial” contra o grupo.
Operações no exterior
A EFB tenta ainda identificar se recursos do Master foram enviados para fora do Brasil. A apuração citada pelo liquidante envolve o Fundo Dublin, a Investments Horizon LLC e um veículo nas Ilhas Cayman. Entre 2023 e 2025, valores milionários teriam sido enviados pelo banco ao Dublin para a compra de direitos creditórios.
O liquidante afirma que o Dublin pode ter servido como ponte para estruturas no exterior. Em agosto de 2025, o Astralo registrava R$ 519,5 milhões em ações da Master Holding, nas Ilhas Cayman.
O Astralo chegou a R$ 33,5 bilhões em patrimônio em outubro de 2025. O Anna foi relacionado a uma cadeia de fundos por onde teriam passado ativos ligados ao Master. Já o RR tinha patrimônio líquido negativo de R$ 43,5 mil em junho e entrou em liquidação em julho.
A CBSF DTVM foi colocada em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em janeiro. A antiga Reag também é investigada na Operação Compliance Zero. A suspeita é de uso de fundos em operações para desviar recursos, inflar valores de ativos e movimentar dinheiro para laranjas. A Reag nega irregularidades.








