A reação dos ativos brasileiros no exterior pode perder força até o fim da eleição, segundo avaliações de analistas. A disputa entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva terá segundo turno em 25 de outubro, e pesquisas, propostas econômicas e a eventual equipe de governo ainda podem alterar os preços.
Na abertura dos negócios no Japão, o NEXT FUNDS, ETF negociado na Bolsa de Tóquio que acompanha o Ibovespa, subia 8,42%, a 319,5 ienes, às 21h37 de Brasília — 9h37 de segunda-feira no horário local. Na sexta-feira, a cota havia fechado a 294,7 ienes.
Em Chicago, o contrato do real com vencimento em novembro avançava 4,78%, a US$ 0,19945 por real, às 20h39. A cotação equivalia a cerca de R$ 5,01 por dólar, queda aproximada de 4,6% da moeda americana em relação ao ajuste anterior. As cotações são divulgadas com atraso.
O mercado brasileiro estava fechado quando o resultado do primeiro turno foi conhecido. Por isso, os negócios no exterior anteciparam as possíveis reações na abertura da Bolsa e do câmbio nesta segunda-feira (5). Flávio terminou essa etapa à frente de Lula, mas nenhum dos dois obteve maioria para encerrar a disputa.
Analistas relacionam a alta à expectativa de uma política fiscal mais austera em um eventual governo Flávio. Uma perspectiva de maior controle das contas públicas poderia reduzir o prêmio de risco, pressionar os juros futuros para baixo e favorecer o real e a Bolsa.
“Parte dessa melhora pode ser devolvida se a disputa voltar a se apertar nas pesquisas do segundo turno”, afirmou Elisa Machado, sócia e economista-chefe da KAT Investimentos.
Construção civil, varejo e educação estão entre os setores que podem ser beneficiados por juros menores, segundo Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital. Ronaldo Guimarães, sócio e conselheiro da KAT Investimentos, também citou bancos e empresas mais endividadas. Estatais podem reagir a uma eventual mudança de gestão, mas devem ter maior volatilidade.
O cenário internacional, a transferência dos votos dos candidatos eliminados, as sinalizações econômicas de Lula e Flávio e a composição do Congresso também devem influenciar os mercados. A capacidade do próximo governo de aprovar medidas fiscais entra nessa avaliação.








