MOGI DAS CRUZES — O ex-vereador de São Paulo Milton Leite se entregou à polícia nesta sexta-feira (18), em Mogi das Cruzes, e foi levado para a cadeia pública da cidade. Ele passou por exame de corpo de delito e negou as suspeitas investigadas pela polícia e pelo Ministério Público.
Ao deixar a delegacia, por volta das 19h, Leite afirmou ser "inocente de todas as acusações" e disse que terá a oportunidade de provar sua versão. Questionado sobre eventual arrependimento, respondeu que só se arrepende quem comete crime.
Prisão temporária
Leite se apresentou por volta das 16h na sede da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), onde o inquérito tramitou. Ele estava acompanhado do advogado Aloísio Lacerda Medeiros. Contra o ex-vereador havia um mandado de prisão temporária válido por 30 dias. A defesa informou que, por enquanto, não pretende recorrer.
Medeiros disse que pediu à Justiça acesso integral ao processo e afirmou que ainda não teve contato com o conjunto de provas. O advogado também declarou que Leite estava fora de São Paulo, mas não informou onde ele estava nem conhecia o endereço alvo de buscas em Sorocaba, onde foram apreendidos R$ 740 mil.
Leite era considerado foragido desde quinta-feira (17), quando não foi encontrado em seu endereço residencial. Ele havia informado que se apresentaria em 24 horas e negado as suspeitas.
A investigação mira suspeitas de que empresas de ônibus responsáveis pelo transporte coletivo em municípios paulistas tenham passado a ser administradas por integrantes do PCC após vencerem licitações. Os investigadores afirmam que Leite seria o verdadeiro dono da Transwolff, que gerenciou linhas de ônibus da capital paulista e teve o contrato rompido por suspeitas de envolvimento com a facção.
O ex-vereador nega conhecer integrantes do PCC e afirma que sua relação com o setor de transportes foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. A defesa sustenta que ainda precisa ter acesso ao processo antes de se manifestar sobre as acusações.








