SÃO PAULO — A My Vintage Dress passou a priorizar a entrega de vestidos já vendidos depois de queixas de noivas que não receberam os produtos no prazo. A dona da loja, Camila Rossi, afirmou que cerca de 300 clientes foram afetadas e pediu desculpas pelos atrasos.
Rossi disse que a empresa deixou de concentrar esforços em novas vendas para atender as encomendas pendentes. Ela negou que a mudança indique fechamento ou falência e afirmou que a loja tenta cumprir os compromissos assumidos.
“Eu realmente sinto muito por isso tudo”, declarou a empresária. Camila também disse compreender a preocupação das clientes, especialmente diante da proximidade dos casamentos.
Investigação sobre fraude
Segundo o advogado Luiz Augusto D’Urso, uma ex-funcionária teria desviado quase R$ 1 milhão da empresa e vendido vestidos por valores abaixo do esperado. A defesa afirma que a fraude provocou dificuldades financeiras na loja. Camila disse ter sido vítima do desvio.
A My Vintage Dress também é alvo de uma ação de despejo. O advogado que representa o espólio do proprietário do imóvel afirma que a empresa deixou de pagar o IPTU entre abril e agosto. A dívida ultrapassaria R$ 41 mil, enquanto o aluguel mensal é de R$ 60 mil.
D’Urso afirmou que Camila ainda não havia recebido a intimação e que acompanha o processo. A defesa disse que não foi comunicada sobre a ação.
Reclamações e atuação das autoridades
No início da semana, clientes relataram dificuldades para falar com a loja quando faltavam poucos dias para os casamentos. A empresa informou que enfrentava um problema na produção e que priorizaria as cerimônias mais próximas, com contato individual com cada cliente.
Cerca de oito noivas, familiares e policiais estiveram na sede da empresa, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
A Polícia Civil investiga o caso como estelionato. A SSP-SP informou que as ocorrências foram registradas no 14º Distrito Policial e encaminhadas às unidades responsáveis pelas áreas onde vivem as vítimas.
O Procon-SP acompanha a situação e informou que mantém contato com as consumidoras e com instituições financeiras para tentar reduzir os prejuízos. O órgão também dará continuidade à fiscalização e à apuração, com possibilidade de medidas sancionatórias e encaminhamento às autoridades competentes.









