Cerca de 72% do comércio global de mercadorias ainda ocorre sob as regras de nação mais favorecida da OMC, segundo o Relatório sobre o Comércio Mundial, divulgado nesta terça-feira (15). Desde 1995, a adesão à organização ajudou a elevar em cerca de 140% o comércio entre seus membros.
Apesar desse alcance, a organização afirma que o sistema comercial atravessa sua mais grave ruptura em 80 anos. O relatório aponta quatro desafios principais: a redistribuição do poder econômico; o avanço de subsídios e outras intervenções estatais; as transformações nas cadeias globais, na digitalização e na Inteligência Artificial; e o aumento das tensões geopolíticas.
Três possibilidades
A manutenção de um sistema fragmentado por blocos geopolíticos reduziria o PIB global em 5,1% e faria as exportações recuarem 18,6%. Em uma hipótese mais extrema, com o fim da OMC e sua substituição por uma rede de acordos de livre comércio, as perdas chegariam a 6,9% do PIB e a 26,9% das exportações.
No cenário de maior integração, com abertura de mercados, regras multilaterais para comércio digital e serviços, mais adesões à OMC e equilíbrio entre abertura e segurança econômica, o PIB global poderia crescer 2,9% até 2050. As exportações avançariam 17,9%.
A distância entre os cenários extremos representa um custo de oportunidade de quase 10% do PIB mundial. A OMC também estima que o enfraquecimento das regras atuais pode reduzir o PIB em até 6,9% em relação ao cenário-base.
O documento defende mudanças na cooperação internacional. “Preservar a OMC não significa preservar o status quo”, afirma o relatório. Para a organização, as tensões atuais também resultam do sucesso da integração comercial, que tornou a economia mundial mais aberta, interdependente e multipolar. A alternativa, segundo o documento, é adaptar a cooperação “às realidades econômicas de hoje” ou avançar para um sistema mais imprevisível e baseado em poder.








