LOURDES — O papa Leão XIV afirmou neste domingo que a Igreja Católica precisa reconhecer os próprios erros para enfrentar as feridas deixadas por abusos cometidos por membros do clero. A declaração ocorreu horas antes de uma reunião reservada com sete vítimas francesas.
Durante uma missa diante de cerca de 150 mil pessoas em um campo próximo ao santuário de Lourdes, Leão disse que a Igreja deve ter coragem para encarar o passado. Ele afirmou que, para superar as falhas internas, é necessário buscar uma postura de humildade diante de Deus.
Em encontro anterior, a portas fechadas, com bispos franceses, o papa mencionou diretamente o “doloroso flagelo dos abusos cometidos contra menores por membros do clero”, conforme texto divulgado pelo Vaticano. Leão agradeceu às autoridades religiosas pelas medidas adotadas e pediu que os esforços de proteção fossem ampliados, com vigilância constante.
Um relatório de 2021 apontou que cerca de 330 mil crianças francesas foram vítimas de abusos cometidos por clérigos católicos e líderes leigos ao longo de sete décadas. A reunião com os sobreviventes deve ocorrer ainda neste domingo. Alguns deles disseram duvidar de mudanças rápidas na Igreja.
Michèle Le Reun-Gaigné, copresidente de uma associação de sobreviventes no oeste da França, afirmou que não espera uma solução imediata. Para o bispo Pierre-Antoine Bozo, porta-voz dos bispos franceses, a decisão do papa de ouvir as vítimas mostra que o tema não pode ser ignorado.
Visita a Lourdes
Leão realiza uma visita de quatro dias a três cidades francesas. A agenda inclui seis eventos em Lourdes, cidade que recebe cerca de 3 milhões de peregrinos por ano em um santuário dedicado à Virgem Maria.
A fachada do santuário tem mosaicos do padre Marko Rupnik, acusado de abuso sexual por mais de 20 mulheres. As obras foram cobertas por lonas amarelas durante a visita. Cinco mulheres que acusam o sacerdote enviaram uma carta aberta ao papa criticando o processo em andamento no Vaticano.
Leão também voltou a defender a posição contrária da Igreja às iniciativas de morte assistida. Ao falar com voluntários que ajudam peregrinos doentes, disse que o trabalho na área da saúde deve significar cuidar de quem sofre, e não eliminá-lo. A França criou, dois meses antes, o direito legal de morrer para pessoas com doenças incuráveis.








