O Banco Central passará a incluir no Relatório de Política Monetária uma série mensal sobre os reajustes salariais negociados em convenções coletivas. A metodologia considera registros do Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho (Mediador), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Os indicadores vão separar os reajustes nominais dos reais, calculados com desconto pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Também será informada a proporção de convenções com aumentos abaixo, iguais ou superiores à inflação, além do total de negociações utilizado no cálculo.
Relação com o mercado de trabalho
Ricardo Sabbadini, chefe do Departamento Econômico (Depec), afirmou que a nova série deverá apoiar a avaliação das condições do mercado de trabalho e da relação entre inflação e negociações salariais.
O Banco Central aponta associação entre o nível de emprego e os resultados das negociações. A instituição cita os períodos de 2012 a 2014 e a partir de 2023 como exemplos em que taxas menores de desemprego coincidiram com maior frequência de reajustes acima da inflação.
A divulgação começa em um cenário de desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Banco Central avalia que, com o desemprego baixo, os trabalhadores tendem a ter mais poder de barganha. Nessa situação, aumentos acima da inflação podem elevar os custos das empresas e, em determinadas condições, pressionar os preços.
O BC já acompanhava as negociações no Relatório de Política Monetária. Desde setembro, a instituição formalizou uma metodologia mensal baseada nas convenções coletivas registradas no sistema Mediador.








