SÃO PAULO — A produção de bicicletas elétricas no Polo Industrial de Manaus (PIM) cresceu 87,2% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Foram fabricadas 34,1 mil unidades, que passaram a representar 20,9% da produção de bicicletas do polo, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
A expansão acompanha o aumento da circulação desses veículos no país. De acordo com a Aliança Bike, mais de 850 mil bicicletas elétricas e outros veículos elétricos leves já estão nas ruas. O avanço também tem sido associado a conflitos com pedestres, ciclistas e motoristas, além de ocorrências por circulação irregular, excesso de velocidade e desrespeito às regras.
Acidentes e dificuldades de controle
Em Curitiba, o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar do Paraná registrou 419 acidentes envolvendo bicicletas elétricas entre 2024 e o primeiro semestre de 2026. Foram 165 ocorrências em 2024, 169 em 2025 e 85 nos primeiros seis meses de 2026.
As ocorrências incluem colisões em cruzamentos, interseções, acessos e travessias, além de conflitos em áreas compartilhadas. O BPTran também aponta circulação em locais impróprios, velocidade incompatível, desrespeito à sinalização, excesso de passageiros, falta de equipamentos, contramão e avanço de sinal vermelho.
A fiscalização depende de abordagem presencial quando o veículo está dentro das características previstas para uma bicicleta elétrica. Nessa categoria, não há placa, registro ou licenciamento que permita vincular automaticamente uma infração ao veículo. Radares convencionais também não identificam o condutor.
Categorias têm regras diferentes
Pelas regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a bicicleta elétrica deve ter motor auxiliar de até 1.000 watts, pedal assistido e velocidade máxima de propulsão do motor de 32 km/h. O modelo não pode contar com acelerador manual ou outro dispositivo de variação manual de potência.
Ciclomotores, por outro lado, são veículos de duas ou três rodas, com motor elétrico ou a combustão e velocidade máxima de fabricação de 50 km/h. Para eles, são exigidos registro, licenciamento, emplacamento e habilitação. Equipamentos autopropelidos, como patinetes, podem ter até 1.000 watts e velocidade máxima de fabricação de 32 km/h, respeitadas as demais características técnicas.
Alterações para aumentar a potência ou a velocidade podem retirar a bicicleta dos limites legais. A identificação desse tipo de irregularidade é difícil à distância.
Regras e procura
Em São Paulo, normas para bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos entraram em vigor na última sexta-feira (28). O limite é de 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas e de 6 km/h em trechos compartilhados com pedestres. A circulação também foi restringida em determinadas vias.
A Prefeitura informou que os parâmetros de fiscalização ainda estão em planejamento e que, inicialmente, serão priorizadas ações educativas. Painéis para aferição de velocidade serão instalados, mas não funcionarão como radares.
O preço de uma bicicleta elétrica pode começar em R$ 2 mil. O bancário André Luís Costa, de 38 anos, disse que passou a usar o veículo diariamente há cerca de três anos por economia. No trajeto ao trabalho, reduziu o tempo de deslocamento de até 50 minutos de carro para cerca de 15 a 20 minutos e percorre aproximadamente 20 quilômetros por dia.
Para José Carlos Assunção Belotto, servidor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do programa de extensão Ciclovida e do Projeto Desafio Intermodal, a expansão precisa ser acompanhada por educação, fiscalização e infraestrutura.








