A plataforma blis já atende pacientes em mais de 2.400 cidades nos 27 Estados e ultrapassou 1 milhão de downloads. A empresa conecta médicos, pacientes, importadoras, fabricantes, farmácias e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no processo de acesso a tratamentos com cannabis medicinal.
O CEO da blis, Toninho Corrêa, estima que o setor movimente entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão no Brasil até o fim de 2026. O mercado fechou 2025 em cerca de R$ 950 milhões, mas ainda enfrenta barreiras relacionadas ao custo dos tratamentos, à regulação e ao posicionamento da cannabis como alternativa terapêutica.
Acesso e regulação
Segundo Corrêa, 80% dos usuários da blis estão fora das grandes capitais. O perfil predominante é formado por pessoas entre 35 e 50 anos, com maior poder aquisitivo. Um tratamento custa entre R$ 350 e R$ 400 por mês. No caso da importação, a cesta de produtos fica perto de R$ 1.000 e pode durar mais de um mês.
A plataforma começou com foco na importação direta, que representa 40% do mercado, conforme a avaliação do executivo. Essa modalidade é regulada pela RDC 660. A empresa também iniciou a estruturação de uma operação voltada às farmácias e à manipulação, dentro da RDC 1.015.
Corrêa afirma que a blis não compra, vende, importa, mantém estoque ou atende pacientes diretamente. O aplicativo organiza a conexão entre os agentes envolvidos, preservando a autonomia de médicos, importadoras, fabricantes e demais participantes.
A empresa não atua com associações nem com autorizações judiciais para plantio ou produção pelo próprio indivíduo. O executivo também disse que o aplicativo é o único no mundo aprovado oficialmente pela Apple para essa jornada e que a empresa participou de 9 audiências para apresentar sua regulamentação, seu modelo de negócio e sua sustentabilidade.
Projeção para 2030
A previsão de Corrêa é que o mercado chegue a R$ 14 bilhões até 2030, com mudanças regulatórias e expansão da produção nacional. Para ele, o valor poderá ser maior caso a cannabis deixe de ser associada apenas a pacientes refratários e passe a ocupar mercados terapêuticos específicos, como o de distúrbios do sono.
O executivo defende a combinação entre produtos importados e nacionais e afirma que o Brasil tem potencial para se tornar exportador de cannabis medicinal. Hoje, segundo ele, 40% do mercado corresponde à importação, 40% à venda em farmácias e cerca de 20% a HCs e associações.
Corrêa é contrário à ampliação do uso recreativo enquanto houver confusão entre as duas finalidades. “Enquanto existir essa confusão entre o recreativo e o medicinal, a gente não vai destravar o uso medicinal”, afirmou.
A blis surgiu a partir de um grupo de pacientes que buscava acesso a tratamentos com cannabis medicinal. A plataforma organiza etapas como prescrição médica, conexão com especialistas, identificação do fabricante e importação direta.








