São Paulo, Domingo, 20 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00% São Paulo 18°C 18° / 24°
Economia

Saídas de multinacionais do Brasil envolvem concorrência, impostos e mudanças globais

Levantamento reúne 43 empresas estrangeiras que fecharam operações, fábricas ou venderam negócios no país desde maio de 2015.

Saídas de multinacionais do Brasil envolvem concorrência, impostos e mudanças globais

As saídas de empresas estrangeiras do Brasil foram associadas a reestruturações globais, mudanças de estratégia, concorrência, custos e condições da economia. Ao menos 43 companhias ou grupos deixaram o país nos últimos 11 anos e meio, entre maio de 2015 e setembro de 2026.

O levantamento considera empresas que encerraram a produção, fecharam fábricas ou venderam suas operações. Os casos abrangem os setores automobilístico, alimentação, eletrônicos, varejo de beleza e moda, medicamentos, cimento, louças e metais.

Motivos citados pelas empresas

Dezessete saídas ocorreram durante o período da pandemia de covid-19. A crise afetou a economia e alterou mercados e hábitos de consumo.

As justificativas mais frequentes foram reestruturações globais, revisões de portfólio e mudanças na estratégia de negócios. Também houve casos relacionados a prejuízos, problemas financeiros e crises que atingiram setores específicos.

Algumas companhias mencionaram fatores do mercado brasileiro, como impostos, custos de importação, riscos econômicos, Custo Brasil e preço do dólar. A Ford encerrou as atividades no país em 2021 e citou o ambiente econômico desfavorável e os efeitos da pandemia. A Mercedes-Benz saiu no ano anterior, após queda nas vendas; a situação econômica e a alta do dólar também foram mencionadas.

A Lush deixou o Brasil pela 2ª vez, em 2018. A empresa afirmou que a carga tributária, a recessão econômica e a instabilidade política impediram a continuidade dos investimentos e da operação lucrativa.

Sony e Holcim adotaram justificativas menos diretas. A fabricante japonesa citou o ambiente de mercado e as perspectivas para os negócios. A companhia de cimento disse que pretendia se concentrar em países com moeda forte e maior rentabilidade ao vender sua operação para a CSN.

A Eventbrite encerrou a operação no país em dezembro de 2025 e atribuiu a decisão às mudanças na regulação brasileira.

Concorrência e hábitos de consumo

Empresas como Walmart, Forever 21 e Glovo encontraram condições diferentes das existentes em seus países de origem.

O Walmart enfrentou a concorrência do varejo local e dos hipermercados. A empresa não conseguiu disseminar a estratégia de “preço baixo todo dia” e vendeu os negócios para um fundo em 2019.

A Forever 21 saiu do Brasil em 2022, depois de 8 anos. Impostos, custos de importação e infraestrutura encareceram os produtos, enquanto a marca teve dificuldade para ampliar o modelo fast fashion e competiu com Shein e Shoppee.

A Glovo, da Espanha, deixou o país em 2019, após 1 ano de operação. A empresa classificou o mercado brasileiro como extremamente competitivo e disse que precisaria de mais investimento e tempo para alcançar o resultado planejado.

Empresas que venderam operações

Os Estados Unidos lideram a lista, com 16 saídas. O Reino Unido aparece com 6, o Japão com 4, Alemanha e França com 3 cada. Espanha, Colômbia e Suíça registraram 2 casos cada. China, Holanda, Índia, Israel e México tiveram 1 saída cada.

Nem todos os produtos desapareceram do mercado brasileiro. Ainda era possível acessar produtos de 16 empresas por meio de importações e estoques.

Entre as operações transferidas estão a da Kirin, antiga dona da Schin, vendida à Heineken em 2017, e a da AES, do setor elétrico, comprada pela Auren Energia em 2024.

A General Mills concluiu em 3 de setembro a venda das operações ao grupo 3Corações por R$ 800 milhões. O negócio inclui Yoki e Kitano, mas não Häagen-Dazs, que deixará de ser distribuída no Brasil depois de quase 30 anos.

Para o economista Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e da FGV, a decisão de sair costuma resultar de vários fatores, como juros elevados, custo de capital, legislação trabalhista com alto nível de litigância e complexidade tributária.

Pessôa avalia que a reforma tributária pode melhorar o cenário a partir de 2030. Ele também aponta juros elevados e baixa taxa de crescimento da produtividade de trabalho como temas para o próximo governo.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5