BRASÍLIA — A Bravo Grafeno, empresa de capacetes que tem Flávio Bolsonaro entre os donos, está registrada na sala 2601 do bloco D do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal. O mesmo endereço é usado por pelo menos 16 empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Antunes é apontado nas investigações como operador financeiro de um esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. Ele está preso preventivamente desde setembro de 2025, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Além do endereço, a Bravo Grafeno e empresas associadas a Antunes utilizaram serviços da Voga Serviços Contábeis. A empresa pertence a Alexandre Caetano dos Reis, sócio de Antunes e também preso nas investigações. Reis é apontado como responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.
Relação com a contabilidade
A sala 2601 é vinculada à estrutura da Voga Serviços Contábeis, que mantém outras unidades no mesmo andar. Em 11/9, uma funcionária informou na portaria do edifício que o espaço era ocupado pela empresa.
Na recepção da Voga, na sala 2603, o advogado Thalles Setúbal confirmou que a contabilidade presta serviços à empresa de Flávio Bolsonaro. Ele negou, porém, que a sala 2601 pertença à Voga e afirmou que o local funcionava como coworking de outra empresa. Funcionários indicaram que a sala também era usada pela contabilidade.
Questionado sobre a relação da Voga com Flávio Bolsonaro e sobre as investigações da Polícia Federal, Setúbal disse: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”.
Empresa de capacetes
A Bravo Grafeno foi criada pela família Bolsonaro em junho de 2024, com capital social de R$ 100 mil. A empresa comercializa capacetes e acessórios para motociclistas, e Jair Bolsonaro participa da divulgação da marca como garoto-propaganda.
A Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, investiga descontos irregulares que teriam atingido mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 2 bilhões.
Flávio Bolsonaro já negou envolvimento nas fraudes do INSS. Ele não se manifestou sobre as novas informações, e a defesa de Antunes também não respondeu.








