A CNI e a Fiesp defenderam a continuidade da redução da taxa Selic após o Copom cortar o juro básico em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. As entidades afirmaram que o nível atual ainda restringe o crédito e pressiona o endividamento de famílias e empresas.
A Confederação Nacional da Indústria considerou a decisão correta, mas cautelosa. Em nota, afirmou que a inflação corrente desacelera e que as expectativas de mercado apontam convergência gradual para a meta de 3% ao ano no horizonte relevante da política monetária.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que a manutenção da Selic em nível restritivo por um período prolongado aumenta o custo para a economia. “É essencial que o BC dê continuidade ao ciclo de redução da Selic”, declarou.
Crédito e endividamento
Segundo a CNI, o juro real está em aproximadamente 9% ao ano, cerca de 4 pontos percentuais acima da taxa real neutra de 5% estimada pelo Banco Central. Em cálculo próprio baseado na regra de Taylor, a entidade chegou a uma taxa nominal de 10,3% ao ano no 2º trimestre de 2026.
Em julho, a taxa média das operações de crédito com recursos livres alcançou 47,7% ao ano, alta de 1,8 p.p. em 12 meses. O índice foi de 60% ao ano para pessoas físicas e de 25,4% para empresas.
A inadimplência chegou a 7,8% entre pessoas físicas e a 4,2% entre pessoas jurídicas. Entre as famílias, o endividamento correspondia a 49,8% da renda em junho. O comprometimento da renda com o serviço da dívida foi de 28,9%, maior nível da série histórica.
Eduardo Palomine, sócio da EXM Partners, afirmou que a preocupação das empresas está ligada ao tempo necessário para a redução dos juros afetar o custo de capital. “A dúvida para muitas empresas é por quanto tempo ainda será necessário conviver com os efeitos de um cenário de juros mais altos por mais tempo”, declarou.
A Fiesp avaliou que o corte foi insuficiente diante do endividamento. O presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmou que os juros elevados continuam pressionando famílias e empresas.
Pressão sobre a indústria
Pesquisa da CNI com 179 empresas de 28 setores indica que os juros devem continuar aumentando a necessidade de financiamento da indústria nos próximos 3 meses. Do total, 56% esperam maior demanda por recursos para contas a pagar; 50%, para manutenção de estoques; e 49%, para contas a receber.
Entre as empresas que projetam contratar mais crédito, aproximadamente 60% esperam aumento das taxas. A pesquisa mostra ainda que 57% preveem redução da margem líquida e aproximadamente 1/3 calcula aumento do endividamento bancário.
Sobre os preços, 53% das empresas pretendem mantê-los, enquanto 35% planejam reajustá-los para cima.
A CNI também citou a desaceleração da atividade. No 2º trimestre de 2026, o avanço do PIB ficou em 0,5%, depois de 1,1% nos 3 meses anteriores. Nesse período, o consumo das famílias caiu 0,4%, enquanto a indústria de transformação não apresentou variação.
O PMI Industrial do Brasil, elaborado pela S&P Global, recuou de 47,5 pontos em julho para 46,3 em agosto, o menor nível em 40 meses. Para a CNI, a atividade mais fraca e o custo do crédito reforçam a necessidade de novos cortes.








