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Economia

Cooperativas mantêm agências físicas em cidades onde bancos deixaram de atuar

Cooperativas estão presentes em 59% dos municípios brasileiros e ampliaram a base de associados mesmo com avanço dos serviços digitais.

Cooperativas mantêm agências físicas em cidades onde bancos deixaram de atuar

Mesmo com a expansão do Pix, dos aplicativos e das contas digitais, as cooperativas de crédito mantêm atendimento presencial em cidades onde os bancos tradicionais deixaram de operar. Em Serranópolis do Iguaçu, no Oeste do Paraná, o município tem pouco mais de 5 mil habitantes, três cooperativas e não conta com agências físicas de bancos tradicionais há cerca de três anos.

Cresol, Sicredi e LarCredi continuaram atendendo no local. A LarCredi chegou em 2021, quando boa parte das operações bancárias já podia ser feita pelo celular.

As cooperativas têm presença física em 59% dos municípios brasileiros e são a única instituição financeira em funcionamento em 1.072 cidades. A base de cooperados cresceu 115% em seis anos e alcançou 22,95 milhões em 2025. O setor reúne oito em cada dez cooperados do Brasil.

Os ativos das cooperativas ultrapassaram R$ 1,15 trilhão, enquanto a carteira líquida de crédito chegou a R$ 516 bilhões em 2025. O segmento representa 8% do Sistema Financeiro Nacional e 9,8% dos depósitos, conforme dados do Banco Central reunidos pelo AnuárioCoop 2026.

Presença local e serviços digitais

Para Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB, o crescimento está relacionado à evolução da legislação, ao reconhecimento das cooperativas pelo Banco Central como instrumento de inclusão financeira e à ampliação de produtos e serviços. O modelo faz os recursos circularem nas próprias comunidades e financia famílias, produtores rurais, empreendedores e pequenos negócios.

Em Serranópolis do Iguaçu, a economia local inclui 15,3 mil hectares cultivados com soja, milho e trigo, além da produção de suínos, aves e peixes. O PIB per capita foi de R$ 54,4 mil em 2023, ligeiramente acima da média brasileira naquele ano.

O Sicredi está na cidade há cerca de 25 anos, mantém relacionamento com mais de 4 mil pessoas e tem 3,2 mil associados. A unidade soma mais de R$ 350 milhões em ativos totais e coobrigações. A Cresol chegou há 16 anos e reúne cerca de 1,1 mil cooperados, com R$ 52,5 milhões em ativos administrados. A LarCredi, instalada em 2021, tem 733 associados e administra cerca de R$ 19,1 milhões.

Segundo Cleiton Giovany Brambilla, gerente da Cresol, muitos moradores têm relacionamento com mais de uma cooperativa e também usam contas bancárias digitais.

No Sicredi, 236 municípios têm a instituição como única organização financeira com presença física; em 162 deles, a população é de até 5 mil habitantes. Na Cresol, a exclusividade ocorre em oito cidades de cinco estados, todas pequenas, com população média entre 5 mil e 7 mil moradores.

O Sistema Ailos está presente em 158 municípios de oito estados. Em dez deles, não há agência bancária física oficial, embora outras cooperativas possam atuar. Para Luciana Brick Pereira, diretora de Negócios do sistema, a estratégia combina atendimento presencial e tecnologia.

Agências voltadas ao relacionamento

As unidades também mudaram. Operações rotineiras migraram para o celular, enquanto os espaços físicos passaram a priorizar salas de negócios, ambientes abertos e conversas com os associados.

A agência do Sicredi em Serranópolis tem 600 metros quadrados, sofás em formato aberto, espaço para café e áreas destinadas ao agronegócio, empresas e pessoas físicas. As cooperativas também apoiam festas comunitárias, futebol amador, campeonatos de bocha e atividades com escolas.

A presença local é usada ainda na análise de crédito. O conhecimento sobre a atividade, a propriedade ou o negócio ajuda a avaliar se o financiamento é adequado para aquele momento. As cooperativas, porém, mantêm parâmetros sistematizados de acesso e análise de risco, segundo Fabíola Nader Motta.

A educação financeira faz parte do processo antes da liberação dos recursos. O objetivo, de acordo com os representantes citados, é conceder crédito sem levar o associado ao endividamento.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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