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Economia

Cooperativas ampliam processamento de soja de olho no biodiesel

Consórcio de sete cooperativas comprou uma unidade da LDC em Ponta Grossa e acompanha investimentos no processamento de soja e biocombustíveis.

Cooperativas ampliam processamento de soja de olho no biodiesel

A expansão do biodiesel está levando cooperativas agropecuárias a investir no processamento de soja. O movimento inclui a compra, em agosto, da esmagadora da Louis Dreyfus Company (LDC) por um consórcio de sete cooperativas liderado pela Frísia Cooperativa Agroindustrial.

A fábrica produz óleo degomado e também tem estruturas para fabricar farelo, extrair e refinar óleo, fazer a degomagem e envasar lecitina. O complexo ocupa 58 hectares, conta com capacidade estática de 300 mil toneladas e foi adquirido por um valor não divulgado. Com o capital de giro necessário para operar a unidade, o investimento pode chegar a R$ 1,4 bilhão.

A aquisição ocorre enquanto cooperativas avançam em projetos ligados ao aumento da mistura de biodiesel no diesel. A proporção, hoje em 15% (B15), deverá chegar a 20% até 2030, com teto de 25%. A soja representa de 70% a 75% da matéria-prima do biodiesel nacional, e o processamento também gera farelo para a suinocultura e a pecuária de leite.

No Rio Grande do Sul, Cotrijal, Cotrisal e Cotripal formaram a Soli3, projeto de R$ 1,25 bilhão em Cruz Alta, com início previsto para 2028. A Comigo constrói uma esmagadora de R$ 1,5 bilhão em Palmeira de Goiás. A Coamo aplica R$ 480 milhões em uma planta de biodiesel em Paranaguá (PR), enquanto a Cooperalfa investe R$ 230 milhões em uma usina em Chapecó (SC). A Cocamar destina R$ 750 milhões a uma nova esmagadora em Maringá (PR).

As sete cooperativas envolvidas na operação de Ponta Grossa — Agrária, Capal, Coasul, Integrada, Castrolanda, Bom Jesus e Frísia — reúnem 57 mil associados. A intercooperação permitiu que grupos menores assumissem uma estrutura industrial já pronta, em vez de construir uma unidade do zero.

Segundo Mario Dykstra, superintendente da Frísia, o foco inicial será estabilizar a operação. Uma eventual unidade de biocombustível poderá ser discutida depois, mas dependerá do interesse das cooperativas e de um estudo de viabilidade. Hoje, a planta produz apenas óleo degomado.

A Frísia estima que o esmagamento permita às cooperativas capturar de 1,5% a 2% da margem da cadeia produtiva. O farelo excedente será vendido no mercado doméstico e destinado à exportação. Dykstra afirma que, se as sete cooperativas comprarem toda a produção de farelo necessária às suas operações, elas consumirão quase 25% da produção da esmagadora.

A LDC informou que revisa seu portfólio de ativos conforme seus planos de crescimento, otimização e eficiência operacional. A empresa disse que manterá em Ponta Grossa as equipes comercial e logística, além das atividades de originação de grãos, oleaginosas e insumos. Em 2025, a companhia também conquistou, por meio de joint venture, um dos terminais do Porto de Paranaguá.

Para André Nassar, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a entrada de mais cooperativas no esmagamento aumenta a defesa do processamento da soja e dos biocombustíveis. O professor Eduardo Damião, da PUC-PR, aponta a governança como o principal desafio do negócio, que reúne sete organizações independentes sob uma estratégia comum.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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