O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu, por maioria, manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos processos relacionados ao caso Master. O resultado foi formado nesta sexta-feira (25), com cinco votos contrários ao afastamento. Sobre a possibilidade de abrir uma apuração preliminar, o placar está empatado em 3 a 3.
O relator, subprocurador Francisco de Assis Sanseverino, votou contra o afastamento e recebeu o apoio de Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, Celso de Albuquerque Silva e José Adônis Callou de Araújo Sá. Alexandre Camanho também rejeitou o pedido, mas considerou que a solicitação não deveria ser conhecida por ser juridicamente inviável.
A sessão examinou menções a Gonet identificadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Também está em análise a indicação de um subprocurador para investigar a conduta do procurador-geral. Janice, Samantha e José Adônis defendem a apuração. O relator, Celso e Camanho são contra.
Gonet nega ter mantido relação de proximidade com Vorcaro. Uma foto localizada pela PF em mensagens do ex-banqueiro mostra os dois em um encontro em Londres, em abril de 2024. Depois, o advogado Ciro Soares enviou a imagem a Vorcaro e escreveu que “PG mandou agora”.
Em sessão de 15 de setembro de 2026 no Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet afirmou: “não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro”. Ele disse que o encontro ocorreu com várias autoridades e que a única ligação, intermediada por advogado, foi breve.
O pedido foi encaminhado inicialmente ao vice-presidente do conselho, Nicolao Dino de Castro e Costa Neto. O órgão é presidido por Gonet, que não participa da condução da análise sobre a própria atuação.
O relatório da PF também registrou que o filho do procurador-geral pediu para participar de um evento em Londres com despesas que seriam custeadas por Vorcaro. O evento não ocorreu. As mensagens sobre contatos entre Gonet e Vorcaro foram divulgadas pelo ministro André Mendonça, então relator do caso Master, no último dia 1º. Gonet defendeu a nulidade do relatório e afirmou que houve avanço ilegal contra Moraes.








