A Instituição Fiscal Independente (IFI) estima déficit primário efetivo de R$ 86,1 bilhões para o governo central em 2027, enquanto o governo prevê resultado positivo de R$ 83,4 bilhões após as deduções autorizadas pelo arcabouço fiscal. A diferença entre os cálculos é de R$ 104,8 bilhões.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) foi enviado ao Congresso Nacional em 31 de agosto. A meta considera superávit primário de R$ 18,6 bilhões, cálculo que exclui os juros da dívida. As diferenças entre os parâmetros oficiais e as projeções independentes podem exigir bloqueios de despesas durante o ano.
Crescimento e arrecadação
A proposta considera expansão de 2,5% para o PIB em 2027, acima dos 2,3% previstos para este ano. A justificativa é que a flexibilização monetária e o aumento do crédito devem manter a demanda.
O Boletim Focus do Banco Central (BC), divulgado nesta segunda-feira (21), aponta crescimento de 1,88% neste ano e de 1,43% no próximo. O Bradesco calcula alta de apenas 1% para 2027, enquanto a XP Investimentos prevê perda de ritmo na atividade, principalmente nos setores mais afetados pelos juros.
Na arrecadação, o governo estima receita primária de cerca de R$ 3,46 trilhões em 2027. A IFI calcula R$ 3,40 trilhões, e o BTG Pactual projeta R$ 3,44 trilhões. A diferença entre a previsão oficial e a estimativa da IFI é de aproximadamente R$ 64 bilhões.
O governo também trabalha com crescimento de 10,1% na massa salarial nominal. A IFI projeta alta de 7,3%, em uma avaliação de mercado de trabalho menos aquecido.
Parte das receitas esperadas está ligada à transição da reforma tributária. A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) deve gerar R$ 636,8 bilhões, enquanto o Imposto Seletivo é estimado em R$ 42 bilhões. A segunda previsão depende da aprovação de uma lei ordinária ainda não votada pelo Congresso.
O planejamento inclui ainda um aporte de R$ 33,8 bilhões ao Fundo de Compensação a Estados e Municípios pela redução do IPI.
Inflação, juros e despesas
Para 2027, o governo considera IPCA de 3,60%. O Focus prevê 4,30% no fim do ano; a XP estima 4,2%, o Bradesco, 4,1%. A XP relaciona sua projeção a riscos de alta provocados por tensões internacionais e incertezas fiscais. O Bradesco cita repasses da reforma tributária e desancoragem das expectativas.
Governo e IFI projetam Selic de 12,0% ao ano no encerramento de 2027. A XP estima 11,50%, enquanto Bradesco e Safra calculam 11,0%. Com os juros elevados, o custo do endividamento público segue pressionando as despesas com o serviço da dívida.
Possível contingenciamento
O BTG Pactual avalia que o governo poderá ter de ajustar as contas em direção ao limite inferior da meta nas revisões bimestrais do Orçamento. A IFI calcula que uma frustração de receitas exigiria contingenciamento de R$ 35,7 bilhões em despesas discricionárias, que podem ser bloqueadas pelo Executivo.
A margem para esses cortes é limitada porque grande parte do Orçamento já está comprometida com despesas obrigatórias.








