São Paulo, Domingo, 20 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00% São Paulo 18°C 18° / 24°
Economia

Dólar superou previsão oficial em 8 dos últimos 10 anos analisados

Levantamento sobre o Orçamento mostra diferenças entre as projeções do governo e os resultados de PIB, inflação, câmbio e juros.

Dólar superou previsão oficial em 8 dos últimos 10 anos analisados

O dólar médio ficou acima da projeção oficial em 8 dos últimos 10 anos analisados, de 2017 a 2026. A inflação medida pelo IPCA também superou a estimativa em 7 ocasiões. No caso da Selic e do PIB, isso ocorreu em 6 dos 10 anos — com o crescimento econômico abaixo do previsto.

O levantamento mostra que os resultados da economia brasileira ficaram piores que as projeções em 67,5% dos Orçamentos do período. Em 32,5% dos casos, o desempenho foi melhor que o estimado.

As comparações consideram as previsões apresentadas no Ploa, o Projeto de Lei Orçamentária Anual, para quatro indicadores: Produto Interno Bruto, inflação, câmbio e taxa básica de juros. O governo envia o projeto ao Congresso Nacional até 31 de agosto de cada ano. As estimativas servem de base para a elaboração do Orçamento.

Efeitos nas contas públicas

As projeções são usadas pelo governo para calcular as contas públicas e orientar outras políticas. Um crescimento menor que o esperado pode reduzir a arrecadação e dificultar o cumprimento das metas fiscais. Já uma Selic acima da prevista eleva a despesa da União com juros.

José Roberto Afonso, professor do IDP, afirma que, no passado, era mais comum o governo trabalhar com previsões de inflação e crescimento mais favoráveis. Segundo ele, a estratégia buscava evitar reações negativas do mercado e diminuir mudanças feitas por parlamentares no Orçamento.

Afonso também afirma que estimativas conservadoras para a arrecadação davam ao Executivo mais espaço para remanejar recursos durante o ano. Para ele, essa margem diminuiu com o fortalecimento das assessorias legislativas e das emendas obrigatórias. O economista defende que os erros e acertos do governo sejam comparados aos do mercado, porque as projeções de inflação e PIB muitas vezes acompanham o Boletim Focus de julho do ano anterior.

Projeções para 2027

As estimativas do Ploa de 2027 divergem das expectativas do mercado financeiro. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, aponta crescimento menor e inflação maior que os números usados pelo governo no Orçamento.

Gabriel Leal de Barros afirma que o Ploa costuma adotar premissas que não representam o cenário mais provável. Para ele, melhorar o processo orçamentário e a elaboração de cenários deve ser prioridade.

Caio Megale, economista-chefe da XP, considera adequados os parâmetros do Ploa de 2027, mas vê risco de crescimento abaixo do estimado. O governo projeta alta de 2,4% do PIB, enquanto a XP prevê expansão de 1%. Megale afirma que uma atividade mais fraca pode reduzir a arrecadação e ampliar o deficit público.

Diferenças nas previsões de 2025

Megale declarou que “o setor privado também erra” ao fazer estimativas. Na última semana de agosto de 2024, o Boletim Focus projetava, para o fim de 2025, crescimento de 1,85% do PIB, IPCA de 3,92%, dólar a R$ 5,30 e Selic de 10,00%.

O Ploa de 2025 estimava PIB de 2,60%, IPCA de 3,30%, dólar médio de R$ 5,19 e Selic média de 9,61%. Ao final de 2025, os indicadores ficaram em 2,30% para o PIB, 4,25% para o IPCA, R$ 5,48 para o dólar e 15,00% para a Selic.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5