A dívida pública pode superar 100% do PIB no início de 2030 e chegar a 117% em 2036 em um dos cenários considerados pelo governo federal. A hipótese prevê aumento de um ponto percentual na Selic a cada ano até 2036, retração real anual de 1% do PIB e resultado primário negativo equivalente a 1% do PIB.
No cenário principal, a dívida bruta do governo geral se aproxima de 90% do PIB entre 2029 e 2030. A possibilidade foi incluída no Orçamento de 2027 e no Anexo de Riscos Fiscais enviados ao Congresso em 31 de agosto.
Projeções para a dívida
A hipótese mais favorável prevê que o endividamento atinja 88,4% do PIB em 2028 e recue depois. Em um cenário de receitas abaixo do esperado e execução orçamentária no piso da meta, a dívida chegaria a 90,6% em 2029 e ao pico de 91,1% em 2031.
No cenário extremo, a dívida alcançaria 91,2% do PIB em 2027, passaria de 100% no início de 2030 e chegaria a 117% em 2036. A alta é associada ao descompasso entre o custo do estoque da dívida e a capacidade de gerar superávits.
A dívida bruta equivalia a 71,7% do PIB no fim de 2022 e chegou a 82,5% em julho de 2026, segundo o Banco Central. Se as projeções oficiais se confirmarem, o avanço até o pico será superior a 15 pontos percentuais em relação ao fim de 2022.
A versão de setembro do Anexo de Riscos Fiscais passou a projetar, para o fim do horizonte, uma dívida cerca de 3 pontos percentuais do PIB maior que a estimada em abril de 2026. O Executivo atribui a revisão a premissas mais negativas para inflação e Selic, que superaram o efeito positivo da revisão do PIB.
O boletim Focus prevê que a dívida alcance 90% do PIB já em 2027. Em janeiro de 2026, a estimativa era de que isso ocorresse apenas em 2029.
Avaliação da IFI
A Instituição Fiscal Independente projeta dívida de 86,4% do PIB em 2027 e afirma que os resultados fiscais previstos não bastam para estabilizar a relação entre dívida e PIB. O órgão aponta como obstáculos o custo maior do financiamento, a relação entre juros e dívida e o aumento da parcela do endividamento atrelada à Selic.
Nos 12 meses até julho de 2026, os juros e as novas emissões elevaram a dívida em 10,5 pontos percentuais do PIB, enquanto o crescimento econômico reduziu a relação em 5,2 pontos percentuais. A parcela da dívida federal indexada aos juros básicos passou de 35,7% do estoque em dezembro de 2023 para 46,4% em julho de 2026.
O PLOA 2027 considera crescimento real de 2,5% do PIB em 2027. A IFI estima 1,8%, e o Relatório Focus, 1,5%.
A proposta fixa meta de resultado primário de R$ 73,2 bilhões, com tolerância de R$ 36,6 bilhões para baixo. O Executivo calcula resultado positivo de R$ 18,6 bilhões antes das deduções e considera R$ 83,4 bilhões após excluir R$ 64,7 bilhões em despesas autorizadas, como precatórios e despesas de capital. A IFI calcula déficit efetivo de R$ 86,1 bilhões e estima que seria necessário bloquear R$ 35,7 bilhões em despesas discricionárias para cumprir o limite inferior da meta.








