RICHARDSON (EUA) — Entregas por drones da Amazon provocam reclamações de moradores de Richardson, no Texas, por causa do barulho, da privacidade e da forma como os pacotes são deixados nas propriedades. A cidade fica ao norte de Dallas e abriga um centro de distribuição da empresa.
Os drones têm cerca de 37 quilos, seis braços azuis e podem transportar caixas de até 2,3 quilos. O alcance previsto é de 12 quilômetros a partir do ponto de decolagem. Em Richardson, o serviço foi autorizado após a aprovação municipal do zoneamento, concedida em dezembro.
O programa Prime Air promete entregar dezenas de milhares de itens em 30 minutos. A entrega pode ser gratuita ou custar até US$ 4,99. A FAA (Administração Federal de Aviação), responsável pelo espaço aéreo dos Estados Unidos, autorizou a operação.
Reclamações de moradores
Moradores de bairros próximos ao centro de distribuição afirmam ouvir dezenas de drones, às vezes mais de uma centena, todos os dias. Nikki Anderson disse que o ruído começa pela manhã e segue até depois do jantar. Segundo ela, o som pode ser ouvido dentro de casa mesmo com a televisão ligada.
Scott Bratcher, presidente da associação de moradores de um bairro apelidado de corredor de drones, afirmou: “O governo e a FAA nos abandonaram”. Ele também disse que o que ocorre em Richardson deve se repetir em outras partes do país.
As entregas podem ocorrer das 7h às 20h. Na ida, a Amazon informou aos moradores que os drones voariam a uma altitude média de 225 pés (68,58 metros). A altitude máxima autorizada pela FAA é de 400 pés (121,92 metros).
No momento da entrega, o drone desce a cerca de 13 pés (3,96 metros) do chão e solta o pacote por uma abertura. Vídeos publicados na internet registraram caixas caindo em uma piscina, um drone atingindo um prédio de apartamentos e outro parado no canteiro central de uma avenida em Baton Rouge, na Louisiana.
Expansão do serviço
A Amazon anunciou que o Prime Air seria ampliado para 500 municípios até o fim do ano. O Walmart também usa drones de entrega na região. A FAA prevê que o número de drones registrados nos Estados Unidos possa passar de 897 mil para mais de 3,5 milhões até 2030.
Lindsay Hamilton, porta-voz da Amazon, afirmou que a reação dos clientes tem sido “extremamente positiva”. Segundo ela, menos de 1% dos contatos relacionados ao programa neste ano foi motivado por ruído. A empresa compara o som dos drones ao de um ventilador de janela na velocidade mínima.
Hamilton também disse que os drones usam câmeras e sensores para navegação. As imagens são armazenadas em unidades criptografadas, acessíveis posteriormente apenas por funcionários autorizados, e utilizadas para melhorar a segurança e o atendimento ao cliente.
A Amazon afirmou que aprimora o programa continuamente e que já ajustou operações com base nas opiniões dos moradores. Kristi Graham, que reclamou dos voos sobre seu quintal, disse que a empresa alterou a rota para a frente da casa dela.
Graham e outros moradores passaram a enviar emails a autoridades de El Paso, no Texas, e Richmond, na Virgínia, onde os drones da Amazon estão prestes a chegar. Brian Rowe, que participa de reuniões da Câmara Municipal, afirmou ter pesquisado tecnologias antidrones, mas disse que os equipamentos custam dezenas de milhares de dólares.
Em julho, após analisar o impacto ambiental de drones comerciais de entrega, a FAA concluiu que eles não causavam “impacto significativo”. A agência informou que pretende publicar novas regras para voos de drones.








