A recomendação de Gustavo Scarpa para “A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói, levou o livro ao primeiro lugar entre os mais vendidos da Amazon. Publicado pela primeira vez há 140 anos, o clássico também registrou alta nas buscas do Google: mais de 70% na comparação com o mesmo período do ano passado e 300% em setembro ante o mês anterior.
O meio-campista do Atlético Mineiro afirmou que não esperava o alcance da publicação. A resenha divulgada no dia 2 de setembro passou de 600 mil visualizações no YouTube, enquanto um trecho publicado no Instagram foi visto por mais de 1 milhão de pessoas.
Da recomendação curta às análises
Scarpa comenta livros nas redes sociais desde 2019. No começo, fazia observações breves sobre as obras. Agora, grava vídeos mais longos, nos quais apresenta o que compreendeu e os aspectos de que gostou em cada leitura.
“Eu não acreditei de primeira”, disse o jogador sobre a repercussão. Ele atribui parte do resultado à mudança no formato e afirma que passou a publicar o que lê com a intenção de influenciar outras pessoas.
As publicações anteriores também chamavam atenção pelo tom usado para comentar clássicos. Entre os exemplos estão observações sobre “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; “A Metamorfose”, de Franz Kafka; e “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë.
Responsabilidade sobre a influência
Scarpa afirmou que entende o alcance de um jogador de futebol e refletiu sobre a responsabilidade associada a essa exposição. Ao mencionar atletas que promovem outros produtos, citou as bets e questionou se todos têm consciência do impacto negativo que essa divulgação pode causar.
O jogador disse que procura compartilhar apenas aquilo em que acredita. Para ele, a autenticidade ajuda a explicar a recepção das recomendações.
Entre as próximas leituras estão “Guerra e Paz”, também de Tolstói, “O Capote e Outras Histórias”, de Nikolai Gógol, “O Mito de Sísifo”, de Albert Camus, e “O Vermelho e o Negro”, de Stendhal. Scarpa também pretende voltar a ler Dostoiévski.
A lista inclui ainda livros de Freida McFadden, autora de “A Empregada”. O jogador afirmou que alterna gêneros porque considera difícil ler obras filosóficas o tempo todo. A intenção, disse, é estimular o público a dar uma oportunidade aos livros recomendados ou a qualquer outra leitura.









