O mercado financeiro passou a considerar mais provável uma mudança na condução das contas públicas e na relação entre os Poderes após o 1º turno da eleição presidencial, avalia José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos. Para ele, o desempenho do PL e de outras siglas de direita no Congresso, principalmente no Senado, ampliou a expectativa de aprovação de reformas.
Camargo afirmou que a reação dos investidores também refletiu uma possível mudança institucional. A avaliação foi apresentada em entrevista por videoconferência na 4ª feira (7.out.2026). Doutor em economia pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), ele é professor aposentado do Departamento de Economia da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e ocupa o cargo de economista-chefe da Genial Investimentos desde 2018.
Congresso e segundo turno
Na análise do economista, o resultado da eleição para o Congresso teve mais impacto sobre suas expectativas do que o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Pesquisas já apontavam uma disputa apertada entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas havia dúvidas sobre a capacidade de um eventual governo do candidato do PL de aprovar reformas sem apoio suficiente no Legislativo.
Camargo considera que Flávio demonstrou mais preocupação com o ajuste fiscal do que Lula. Para ele, essa percepção se combinou à possibilidade de mudanças na relação entre os Poderes, especialmente com o Supremo Tribunal Federal. Por isso, a ausência de um programa econômico detalhado não teria impedido uma reação positiva do mercado.
O economista defende que Flávio apresente, antes do 2º turno, medidas concretas para as contas públicas. Se eleito, o senador deveria encaminhar as propostas nos primeiros meses do governo. O pacote, segundo Camargo, precisaria prever cortes de gastos e reformas para estabilizar a dívida pública em relação ao PIB durante o mandato de 2027 a 2030.
Juros e ativos
A melhora das expectativas fiscais foi associada por Camargo ao recuo dos juros futuros após o 1º turno. Na 2ª feira (5.out), as taxas de contratos com vencimento nos 4 anos seguintes caíram cerca de 1 ponto percentual.
Para que essa queda continue, ele considera necessárias medidas capazes de dar credibilidade à política fiscal e a atuação do Banco Central no controle da inflação. O economista também afirmou: “O fundamental neste momento é que as expectativas se cumpram”.
Camargo vê possibilidade de valorização do real e das ações brasileiras caso melhorem as expectativas sobre a política econômica. A diferença entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos, segundo ele, pode estimular a entrada de recursos estrangeiros. Também avalia que há oportunidades em ações brasileiras e títulos de renda fixa.
Esse cenário dependerá da execução das medidas fiscais. Se o próximo governo não atender às expectativas dos investidores, o economista considera possível uma desvalorização do real e uma nova alta dos juros.








