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Política

Pontes reposicionam Coreia do Norte entre China e Rússia

Nova ligação sobre o rio Yalu pode ampliar o comércio com a China enquanto Pyongyang estreita relações com Moscou.

Pontes reposicionam Coreia do Norte entre China e Rússia

A Coreia do Norte retomou neste ano o transporte ferroviário com a China e pode abrir em outubro uma nova ponte rodoviária com o país. A movimentação ocorre enquanto Pyongyang amplia as conexões terrestres com a Rússia e tenta preservar espaço entre os dois parceiros.

Os trens de carga entre Dandong e Sinuiju voltaram a circular em 2022. O transporte de passageiros foi retomado em 12 de março deste ano, depois de 6 anos interrompido. A futura abertura da Nova Ponte do Rio Yalu reforçaria essa reaproximação comercial.

Uma nova rota sobre o rio Yalu

A estrutura conecta Dandong, no nordeste da China, a Sinuiju, no noroeste da Coreia do Norte. A ponte tem 4 faixas, mais de 3 km de extensão e vias de acesso às áreas vizinhas.

Instalações de alfândega, imigração e armazenamento no lado norte-coreano avançaram recentemente, após anos de obras praticamente inacabadas. A conclusão da estrutura ocorreu há mais de uma década, mas a abertura foi atrasada pela construção do centro alfandegário da Coreia do Norte.

O projeto começou em 2011, com financiamento em grande parte chinês, e foi basicamente concluído em 2014. Os planos, porém, remontam a 2009, quando Wen Jiabao e autoridades norte-coreanas concordaram com a construção para reduzir a carga sobre a Ponte da Amizade Sino-Coreana, erguida em 1943.

A nova passagem deve dividir o fluxo com a ponte antiga, que recebe veículos e trens e continua entre as principais rotas entre os dois países. A China é o principal parceiro comercial de Pyongyang.

Ligações com Moscou e Pequim

Em 7 de setembro, a Coreia do Norte inaugurou uma ponte rodoviária sobre o rio Tumen, entre a região de Rason e Kazan, na região russa de Primorsky. Antes disso, a fronteira terrestre entre os dois países era ligada por ferrovia, mas não por rodovia.

Han Ki-bum, ex-diretor adjunto do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, afirmou que a diferença no ritmo das obras indica uma tentativa de Pyongyang de administrar a aproximação com Rússia e China. “Se depender demais da China, como aconteceu no passado, a autonomia da Coreia do Norte poderá ser prejudicada”, disse.

Desde 2023, Moscou e Pyongyang estreitam os laços. A Coreia do Norte começou naquele ano a fornecer armas e tropas para a guerra na Ucrânia. A Rússia tem interesse em ampliar rotas de transporte pelo território norte-coreano em direção ao Pacífico, inclusive pelo porto de Rajin. Pyongyang, por sua vez, poderia obter ganhos com comércio, turismo e envio de trabalhadores para a Rússia.

A China busca evitar que a Coreia do Norte se torne dependente demais de Moscou. “Do ponto de vista da China, é preciso impedir que a Coreia do Norte se aproxime demais da Rússia”, disse Han.

Comércio e limites

A pandemia da Covid-19 levou Pyongyang a praticamente fechar as fronteiras, reduziu o comércio e restringiu a entrada de diplomatas estrangeiros. A reabertura da passagem sobre o rio Yalu pode favorecer as províncias chinesas de Liaoning, Jilin e Heilongjiang, que antes importavam produtos norte-coreanos, como frutos do mar, e exportavam mercadorias para o país vizinho.

Ahn Chan-il, ex-soldado norte-coreano e diretor do Instituto Mundial de Estudos sobre a Coreia do Norte, em Seul, avaliou que a ponte pode ampliar a influência diplomática de Pyongyang. Para ele, a inauguração também pode indicar uma abertura econômica gradual.

A recuperação do comércio, porém, enfrenta limites. O sistema está mais centralizado pelo governo norte-coreano, que reforça o controle sobre as importações. A escassez de moeda estrangeira e o aumento da taxa de câmbio não oficial do dólar americano também podem dificultar uma expansão acelerada.

Han prevê que a nova passagem ajude o comércio a recuperar os níveis anteriores à pandemia, mas considera improvável um boom comercial. A Coreia do Norte precisa de importações para a construção civil e a produção industrial, incluindo componentes para fábricas.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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