O grupo alemão Bertelsmann será o principal acionista da companhia formada pela fusão entre Afya e Yduqs, com 47,3% do capital. A nova empresa será comandada por Virgilio Gibbon, atual CEO da Afya. Rossano Marques, da Yduqs, ficará à frente da área de ensino superior, exceto medicina. Kay Krafft, da Bertelsmann Education, presidirá o conselho de administração.
A família Esteves terá 7,6% da companhia, enquanto a Advent ficará com 5,3% e a família Zaher, com 4,8%. Pelo acordo anunciado na noite de 4ªfeira (23.set.2026), os acionistas da Afya deterão 69% da empresa combinada, e os da Yduqs, 31%.
A operação prevê que a Afya seja incorporada pela Yduqs e depois extinta. A companhia resultante continuará listada no Novo Mercado da B3. O negócio ainda depende de aprovações, incluindo a do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e deverá ser concluído em até 12 meses após a assinatura. Também está previsto o pagamento de pelo menos R$ 750 milhões em dividendos, condicionado ao cumprimento das condições do acordo.
A combinação reunirá cerca de 1,6 milhão de estudantes, dos quais aproximadamente 38.000 estarão em cursos de medicina. A estrutura terá 176 campi distribuídos por 26 Estados. A estratégia inclui a expansão da educação continuada para profissionais de saúde e de soluções digitais para a prática médica, como o Whitebook, plataforma da Afya voltada ao apoio à decisão clínica.
A fusão deve elevar a participação dos negócios premium na receita da Yduqs. Idomed e Ibmec representam atualmente 32% desse total; após a operação, a fatia deverá chegar a 55%, segundo a empresa.
As companhias estimam sinergias entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões. A expectativa é atingir cerca de 80% desse potencial nos 3 primeiros anos depois da conclusão.
Um levantamento da Elos Ayta Consultoria, baseado nos balanços divulgados até junho de 2026, somou R$ 4,89 bilhões em receitas, R$ 3,26 bilhões em Ebitda e R$ 8,46 bilhões em dívida bruta. A dívida líquida combinada seria de aproximadamente R$ 6,73 bilhões, e o caixa, de R$ 1,73 bilhão. Os valores são indicativos e não projetam o balanço da empresa futura.
Em 23 de setembro, a soma dos valores de mercado das duas companhias era de R$ 9,31 bilhões. Esse montante não equivale à avaliação da futura empresa, pois não inclui os termos finais do acordo, possíveis ajustes, sinergias ou a reação das ações ao anúncio.







