A IBM comprou 100% do HRL Laboratories, laboratório sediado em Malibu, na Califórnia, como parte da estratégia dos Estados Unidos para desenvolver uma indústria de computação quântica no país. A transação foi concluída em 26 de agosto.
O HRL é especializado em propriedades intelectuais, protótipos de alta tecnologia e componentes avançados. A instituição também é referência no desenvolvimento de qubits de spin em silício, conhecidos como bits quânticos. Esses componentes armazenam e processam informações e são usados para simular o comportamento de átomos e moléculas.
A empresa era controlada pela Boeing e pela General Motors, que continuarão colaborando com a IBM após a aquisição. Para Thaddeus Ladd, cientista-chefe da Divisão de Física Computacional do HRL, o negócio marca a passagem de uma área voltada principalmente à pesquisa para uma atividade orientada ao comércio.
Produção em solo americano
A aquisição é o 2º passo de uma parceria entre a IBM e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Em maio, as organizações criaram a subsidiária Anderon, que desenvolverá uma linha de produção de wafers para computação quântica.
Instalada em Albany, Nova York, a operação recebeu US$ 1 bilhão do governo Trump por meio do Chips and Science Act e outros US$ 1 bilhão da IBM. A lei concede incentivos à indústria de chips dos Estados Unidos.
A aposta nos qubits de silício permite aproveitar fundições, máquinas e técnicas já utilizadas na fabricação em massa de chips convencionais. A estratégia busca evitar a dependência observada no mercado tradicional de microchips, cuja produção é concentrada em Taiwan, com empresas como a TSMC fornecendo componentes para companhias como Apple e Nvidia.
“Essa aquisição realmente significa uma grande mudança de rumo em toda a indústria de computação quântica”, disse Ladd. Segundo ele, IBM e HRL montaram em setembro um cronograma para o projeto, mas a produção comercial não deve começar nos próximos 5 anos.
A computação quântica usa princípios da física quântica para lidar com problemas complexos. A tecnologia é estudada para aplicações em medicamentos, materiais, defesa, setores aeroespacial e automotivo. Nos Estados Unidos, o setor já reúne centenas de empresas e também inclui pesquisas em comunicação e sensoriamento.








