O Ibovespa atingiu 209.605 pontos na primeira hora de negociação desta segunda-feira (5), alta superior a 9% e máxima histórica. No fechamento, o índice avançou 7,7% e terminou aos 206.912 pontos.
O dólar comercial chegou a R$ 4,953 por volta de 10h40, com queda superior a 5% em relação ao real. Ao fim do pregão, a moeda fechou em R$ 5,001, recuo de 4,13%.
O movimento ocorreu após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, resultado que surpreendeu a maior parte das pesquisas de intenção de voto.
Analistas do mercado financeiro avaliaram que uma eventual vitória de Flávio pode abrir espaço para uma política fiscal mais austera, reformas econômicas e uma orientação mais favorável ao mercado. A expectativa também considera a nova composição do Congresso, com avanço da direita e da centro-direita.
“O resultado aumenta a probabilidade de uma orientação política mais favorável ao mercado, baseada na consolidação fiscal, na reforma econômica e em um alinhamento mais estreito com os EUA”, disse Thomas Haugaard, gerente de portfólio na Janus Henderson Investors.
O PL tornou-se o maior partido individual no Senado e deve formar o maior bloco na Câmara. Para Haugaard, essa configuração pode facilitar coalizões e a governabilidade, embora a fragmentação do sistema congressional continue sendo uma restrição. Ele também afirmou que ainda faltam propostas fiscais detalhadas e clareza sobre o ritmo, a composição e a implementação do ajuste.
Juros e investimentos
A possibilidade de uma política fiscal mais austera levou analistas a projetar uma queda mais forte da Selic. O relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (5), com projeções coletadas até sexta-feira (2), apontava mediana de 12% para a taxa ao fim de 2027.
Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, afirmou trabalhar com uma estimativa próxima de 11,5% no fim de 2027, condicionada às sinalizações fiscais após o segundo turno. Para ele, a composição do Congresso pode favorecer o controle de gastos, mas não garante um ajuste, já que nenhuma força tem maioria suficiente para aprovar sozinha mudanças relevantes.
Antônio Patrus, da Bossa Invest, avaliou que juros menores podem melhorar a relação entre risco e retorno de empresas de crescimento. Ele citou um cenário em que a Selic termine 2027 entre 11% e 11,5%, com efeitos iniciais sobre a avaliação das empresas, antes de uma eventual repercussão na economia real.
O BTG Pactual estima que, caso Flávio vença o segundo turno, as ações brasileiras possam ter valorização entre 11% e 20% em reais ao retornar à média histórica de 10 anos. Em um cenário de um desvio padrão acima da média, a alta poderia ficar entre 32% e 45%.







