O iFood defende que a regulamentação do trabalho por aplicativo estabeleça pisos de remuneração para todas as plataformas, usando o salário mínimo como referência para o setor. A proposta foi apresentada pelo vice-presidente Jurídico da empresa, Lucas Piottini.
Para o executivo, as regras também precisam preservar a autonomia e a flexibilidade dos trabalhadores. Ele afirmou, porém, que ainda não é possível descartar um aumento nos custos dos pedidos, porque as regras, as alíquotas e o desenho final da regulamentação não foram definidos.
“A nossa expectativa é tentar ao máximo absorver esse custo”, disse Piottini. Segundo ele, parte da despesa pode ser repassada ao setor como um todo.
Delivery e planos da empresa
Piottini afirmou que o delivery tem potencial para oferecer refeições mais baratas às classes C e D. Sobre a China, disse que o país é uma fonte de inspiração e inovação para o iFood, que realiza viagens e imersões para acompanhar tecnologias e tendências.
A empresa não tem planos de atuar em outros países, incluindo a China, neste momento. “Seguimos muito comprometidos com o Brasil. Vemos muita oportunidade aqui”, declarou o executivo.
Representação contra a Keeta
O iFood protocolou em 31 de agosto uma representação formal no Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, pedindo a abertura de processo administrativo contra a Keeta por práticas predatórias no mercado brasileiro.
Piottini afirmou que a preocupação está relacionada ao uso de cupons e a descontos considerados transitórios nas comissões cobradas dos restaurantes, além de bonificações também transitórias para entregadores. Na avaliação dele, empresas com menos recursos não conseguem manter essa competição por longos períodos.
O executivo disse que, quando concorrentes deixam os mercados, os descontos para consumidores e restaurantes podem acabar, enquanto as comissões aumentam e os pagamentos aos entregadores cessam.
Resposta da Keeta
A Keeta classificou a iniciativa como uma estratégia do iFood para manter sua posição dominante. A empresa declarou ter cerca de 80% de participação de mercado no Brasil e afirmou que a plataforma tenta impedir a entrada de uma concorrente com tecnologia e mais de 15 anos de presença global em entrega de comida.
A Keeta também disse que o setor brasileiro de entrega de comida precisa de decisões que estimulem um mercado competitivo e justo.








