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Economia

Como funciona a transferência de operações brasileiras para o Paraguai

Consultoria diz que procura pelo país aumentou durante debates sobre impostos e juros; instalação pode levar até 18 meses.

A transferência de uma operação para o Paraguai exige análise de custos, mão de obra, investimento e prazo de retorno, segundo Suelen Raizer, fundadora da Frontexa. Se a empresa aprovar o projeto, a documentação pode levar de 3 a 6 meses. Do início da avaliação até o começo da produção, o prazo pode chegar a 7 a 18 meses.

O projeto precisa ser apresentado ao Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai e comprovar geração de valor agregado no país. Entre as exigências estão a contratação de trabalhadores locais e, quando aplicável, o uso de fornecedores paraguaios. “É um projeto sério, não pode escrever uma coisa no projeto e depois fazer outra, porque também existe a fiscalização”, afirmou Raizer.

Regras e custos

O regime de maquila permite que empresas estrangeiras voltadas à exportação produzam no Paraguai com menor carga tributária. As maquiladoras têm impostos e encargos trabalhistas totais de 12%, em média, contra 80% no Brasil. Também pagam 1% de imposto sobre o valor agregado e têm isenção de Imposto de Renda em situações como o pagamento de dividendos, a compra de máquinas e a importação de matéria-prima.

Para obter o Certificado de Origem do Mercosul, o produto precisa ter pelo menos 40% de valor agregado regional, chamado de elemento paraguaio. A certificação permite exportar para outros países do bloco, como o Brasil, com alíquota zero de Imposto de Importação.

Desde 2007, mais de 230 empresas deixaram o Brasil para operar no Paraguai sob o regime de maquila. O número equivale a 70% das mais de 320 empresas estrangeiras que escolheram o país vizinho. Esse movimento ganhou força desde 2013.

Procura e complementaridade

Raizer afirmou que cerca de 100 indústrias procuraram a Frontexa em 2026. O grupo também inclui distribuidoras interessadas em alternativas para ampliar a competitividade. A executiva associou o aumento da demanda às discussões sobre a reforma tributária e ao cenário de juros elevados no Brasil.

A Reforma Tributária do Consumo entra em vigor em 2027. Na data, PIS e Cofins serão extintos e substituídos pela CBS. O IPI será reduzido a zero na maioria dos produtos, começará a cobrança do Imposto Seletivo e terá início a transição prática do IBS.

A consultoria afirma que a mudança não é viável para todos os setores. Empresas dependentes de mão de obra altamente especializada, manual ou artesanal podem enfrentar mais dificuldade, porque a oferta de trabalhadores qualificados no Paraguai é mais escassa.

Para Raizer, Paraguai e Brasil podem ter operações complementares. Marketing, design e decisões estratégicas costumam permanecer no Brasil, enquanto parte da produção é transferida para o país vizinho.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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