Em depoimento ao Senado, em março de 2026, Vladimir Timerman afirmou que precisou insistir para que órgãos de fiscalização analisassem as provas apresentadas por ele contra o Banco Master. O investidor disse que o Banco Central só encaminhou informações à Polícia Federal depois de sua pressão constante.
A fala ocorreu após anos de questionamentos formais. As denúncias começaram em 2019 e ganharam corpo com documentos entregues ao Banco Central em 2023. Timerman apontou estruturas que, segundo ele, envolveriam empresas em paraísos fiscais, como nas Bahamas, para esconder os verdadeiros donos do banco.
Ele também questionou a forma como o Banco Master precificava precatórios, dívidas reconhecidas pelo governo após decisões judiciais. Para o gestor, essas operações escondiam riscos para o sistema financeiro e contribuíram para o encerramento das atividades da instituição pelo Banco Central.
Acusações e atuação no mercado
Durante a oitiva, Timerman afirmou que o empresário Nelson Tanure estaria entre os controladores ocultos do Banco Master. Tanure nega ter relação societária com o banco e diz ser apenas cliente. Ele também já venceu processos judiciais contra o gestor por ofensas em redes sociais.
Fundador da Esh Capital, Timerman é engenheiro eletricista formado pela USP e trabalhou em grandes instituições financeiras antes de criar a gestora, em 2015. Ele atua como investidor ativista: compra participações em empresas e contesta publicamente decisões de diretores e controladores.
O gestor afirma defender acionistas minoritários, investidores com pequenas participações e pouca influência nas decisões dos controladores. A postura fez com que acumulasse processos e ameaças ao questionar o sistema financeiro.
Consequências pessoais e financeiras
Após as denúncias, Timerman passou a usar seguranças particulares e pediu ao STF inclusão em programas de proteção a testemunhas. A solicitação ocorreu depois da descoberta de mensagens em que o ex-dono do Banco Master pedia “carga total” contra ele.
Timerman declarou ainda enfrentar dificuldades financeiras por causa do bloqueio judicial de fundos da Esh Capital. Apesar dos processos e da imagem controversa no mercado, mantém a cobrança para que os órgãos de controle brasileiros cumpram seu papel. As denúncias antecederam a liquidação do Banco Master e a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, em novembro de 2025.








