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Economia

Relatório da PF descreve pagamentos e viagens ligados a servidores do BC e ao Master

Mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro indicam favores, revisão de documentos e vantagens atribuídas a dois ex-servidores do BC.

Relatório da PF descreve pagamentos e viagens ligados a servidores do BC e ao Master

Mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro indicam que Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ex-servidores do Banco Central (BC), prestaram orientações ao então controlador do Banco Master e receberam vantagens, segundo relatório da Polícia Federal (PF) tornado público pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (11).

Os diálogos mostram revisão de documentos, intermediação de assuntos do conglomerado e alertas sobre movimentações financeiras que acionavam filtros do sistema de monitoramento do BC. A PF também aponta o repasse de informações sigilosas sobre reuniões da investigação da Operação Compliance Zero.

Na época das conversas, Belline chefiava o Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Paulo Sérgio era chefe adjunto do setor. Os dois foram afastados dos cargos em março deste ano. Eles, Vorcaro e outros interlocutores mantinham um grupo de mensagens para alinhar estratégias, documentos e reuniões privadas.

Pagamentos e viagens

De acordo com a investigação, os pagamentos eram feitos com contratos fictícios e empresas de terceiros. Belline teria recebido R$ 2 milhões por meio de um contrato apresentado como estudo sobre a inserção de jovens no mercado financeiro. Uma planilha de setembro de 2025 registra o nome “Bellini” entre despesas fixas mensais, com valor de R$ 500 mil.

A PF também relaciona Vorcaro à organização de uma viagem de Belline e da esposa para Paris, com contratação de receptivo, guia e reservas em restaurantes. Paulo Sérgio, por sua vez, enviou em 30 de janeiro de 2024 um roteiro de viagem familiar para a Disney e a Universal, em Orlando, prevista para o mês seguinte. No dia do embarque, 5 de fevereiro, agradeceu ao banqueiro pelo suporte.

O vínculo financeiro atribuído a Paulo Sérgio inclui ainda uma propriedade rural. Em janeiro de 2020, foi elaborada uma minuta de compra e venda no valor de R$ 4,8 milhões. No ano seguinte, o imóvel foi transferido para a Pipe Participações Ltda., de Fabiano Zettel. A investigação considera a operação de fachada para lavagem de dinheiro.

Atuação nas decisões do Master

As mensagens indicam que Paulo Sérgio auxiliou interesses do conglomerado em temas como a venda do Letsbank e a aquisição do Banco Voiter e do controle acionário do Will Bank. Ele também teria revisado um ofício do Master ao Desup em 25 de abril de 2025, relacionado a indicadores de liquidez.

Belline criou, em outubro de 2025, um grupo no WhatsApp chamado “Master”, com a participação de Paulo Sérgio e Vorcaro. Segundo a PF, o grupo servia para tratar dos interesses do banqueiro por mensagens, ligações e revisão de documentos.

A defesa de Belline afirma que ele exerceu suas funções dentro de suas atribuições e nega que tenha interferido na fiscalização do Banco Master. O advogado Leonardo Palazzi também diz que Leonardo Serrano Giunchetti afirmou que não houve pagamento ou indicação de Vorcaro em serviços de concierge durante viagem internacional.

A defesa de Paulo Sérgio afirmou que ele pagou as despesas da viagem a Orlando. Segundo os advogados, Vorcaro ofereceu apenas uma vaga remanescente em um pacote de acesso prioritário aos parques, aceita mediante pagamento de US$ 8 mil em espécie. A defesa disse que o servidor não conhecia eventual pagamento de US$ 38 mil ao agente de viagens.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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