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Análises em Portugal e nos EUA validam imagens feitas por Hercule Florence

Estudos indicam que imagens produzidas por Florence no início do século 19 podem ser classificadas como fotografias.

Análises em Portugal e nos EUA validam imagens feitas por Hercule Florence
Foto: Divulgação

Imagens produzidas por Hercule Florence no início do século 19 foram identificadas como fotografias, ou objetos fotográficos, após análises realizadas em Portugal e nos Estados Unidos. Os resultados são apresentados nesta semana durante um encontro mundial do Conselho Internacional de Museus.

O trabalho reúne parte dos herdeiros do artista, o chefe do departamento de fotografia do Instituto Moreira Salles e um pesquisador do Getty. Florence teve 20 filhos em dois casamentos e desenvolveu sua obra no interior paulista.

As imagens preservadas

Três imagens feitas por Florence em 1833 sobreviveram dentro das páginas dos manuscritos de sua autobiografia. Duas pertencem ao Instituto Moreira Salles e uma ao Instituto Hercule Florence. Os materiais foram examinados em Portugal com equipamentos que identificaram a reação dos agentes químicos à luz e os processos responsáveis pela formação e pela fixação das imagens.

Em janeiro de 1833, Florence registrou em seu diário um experimento com uma câmera rudimentar construída com uma caixinha, uma paleta de pintor, uma lente de binóculos de ópera e um espelho. A imagem das casas do outro lado da rua levou quatro horas para aparecer no papel, com inversão das cores e das posições dos sobrados. Naquele momento, ele ainda não sabia como preservar o resultado.

Meses depois, os pesquisadores avaliam que Florence passou a usar nitrato de prata e cloreto de ouro para manter as imagens no papel. Em outubro daquele mesmo ano, ele chamou sua descoberta de “fotografia ou impressão com a luz”.

Posição na história

O uso da palavra fotografia por Florence é um dado não disputado. Na cronologia, ele vem depois do francês Joseph Nicéphore Niépce, que produziu uma imagem considerada fotografia há dois séculos, e antes de William Henry Fox Talbot e Louis Daguerre.

Niépce, em 1826, fixou uma imagem com betume da Judeia. O processo levou um dia inteiro para formar a silhueta de dois casarões. Já Florence empregou nitrato de prata e cloreto de ouro, segundo Antonio Florence, tetraneto do artista e presidente do instituto que o representa: “Esses são os objetos fotográficos mais antigos visíveis a olho nu”.

Um estudo ainda em andamento no Getty, em Los Angeles, tenta reproduzir as imagens com métodos da época e acelerar artificialmente seu envelhecimento. A comparação com os exemplares históricos pode reforçar a conclusão, mas lacunas nos manuscritos dificultam a reconstrução completa do processo.

Para Sergio Burgi, do Instituto Moreira Salles, as pesquisas também ampliam a compreensão sobre o desenvolvimento da fotografia fora dos centros europeus e americanos. “Queremos ampliar a compreensão daquele momento em que havia, em todas as partes, um processo atomizado”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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