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Carrère relata luto e criação literária em encontro da Companhia das Letras

Escritor francês falou sobre a influência da família, sexo, religião, tradução e livros como “Limonov” e “Ioga”.

Carrère relata luto e criação literária em encontro da Companhia das Letras
Foto: Divulgação

A morte dos pais levou Emmanuel Carrère a escrever sobre a própria família, embora o livro não estivesse nos planos do escritor francês. O tema apareceu no encerramento do festival de 40 anos da Companhia das Letras, realizado neste sábado (26), no Cultura Artística, em São Paulo.

Carrère afirmou que a morte da mãe, a historiadora Hélène Carrère d’Encausse (1929-2023), teve papel decisivo no trabalho. A obra mais recente, “Colcoz”, reconstrói a trajetória dos antepassados do autor ao longo de quatro gerações, passando por mais de um século das histórias russa e francesa, além de abordar a relação entre mãe e filho.

“Ela teve uma morte que foi um coroamento de uma vida”, disse Carrère. Segundo ele, o livro surgiu a partir de materiais reunidos sem um método sistemático, em um processo baseado em associação, intuição e montagem.

Livros e experiências

Em conversa com Vera Iaconelli, escritora e psicanalista, Carrère falou sobre memória familiar, luto, religião, sexo e o processo de criação. Andréa del Fuego participou do encontro com a leitura de trechos de “Colcoz”.

O autor descreveu duas formas de construir um romance: a partir de um fio que se desenvolve rapidamente ou por meio da montagem de partes, como em um quebra-cabeça. Sobre a escolha dos temas, disse buscar algo que não seja ele, mas que encontre ressonância em sua experiência.

Ao comentar “Limonov”, biografia do escritor e dissidente político russo Eduard Limonov, Carrère contou que já conhecia o personagem por trabalhos jornalísticos. O que o atraiu foi acompanhar sua transformação em líder político. Para o autor, falar de Limonov também permitia abordar o fim do comunismo.

Carrère disse ainda que não se incomoda com cortes feitos por tradutores para tornar seus livros mais compreensíveis. Com o passar do tempo, passou a retirar referências que considerava muito específicas da França. Também elogiou as capas brasileiras de suas obras.

Sobre sexo, foi direto: “Isso me dá prazer”. A conversa também tratou de “Ioga”, livro que vendeu 40 mil exemplares no Brasil. O projeto foi afetado pelos atentados do Charlie Hebdo, em 2015, e por uma depressão pesada enfrentada pelo escritor.

Novo encontro

Após o evento lotado, a Companhia das Letras abriu uma nova conversa com Carrère às 11h deste domingo (27), no Sesc 14 Bis. Os ingressos online estão esgotados, mas há unidades disponíveis na bilheteria presencial, às 10h. Não haverá sessão de autógrafos depois do encontro.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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