O álbum “Chico 2.0” terá uma segunda parte, com lançamento previsto para outubro. O projeto reúne dez músicas de Chico Buarque em versões feitas por artistas ligados a gêneros como funk, rap, trap e soul.
A seleção não considerou apenas o sucesso das composições. Felipe Poeta e Alê Siqueira buscaram intérpretes que tivessem uma relação pessoal com cada canção, levando em conta as trajetórias dos artistas, as sonoridades e os temas presentes em seus repertórios.
Poeta, de 24 anos, e Siqueira, de 54, passaram dias trabalhando em estúdio, entre partituras e letras. O projeto é uma parceria da Central Única das Favelas com FRecords, Tha House Company e Universal Music Brasil.
Siqueira afirma que Chico Buarque teria sido rapper se pertencesse à geração atual. Para o produtor, a ligação está principalmente na maneira como o compositor observa a sociedade. As canções de Chico apresentam personagens, conflitos e cenas do cotidiano brasileiro, elementos também presentes nas letras da música urbana contemporânea.
Vozes de diferentes gerações
A primeira faixa é “O que Será (À Flor da Terra)”, interpretada por Don L e Vandal. O cearense e o artista de Salvador levaram a composição, conhecida na voz de Milton Nascimento, para uma abordagem baseada no flow, com mudanças na cadência e no ritmo dos versos.
“Eu não interpretei a música como cantor, mas como um rapper”, afirma Don L. A ligação dele com a obra de Chico começou na infância, quando sua mãe cantava “O Meu Guri”. Mais tarde, ele entendeu que a canção sobre uma mãe e o filho envolvido com o crime tinha uma dimensão pesada.
Júlia Mestre canta “João e Maria” com TZ da Coronel. A artista aprendeu a tocar a música no violão antes de começar a compor. No álbum, sua voz suave contrasta com o timbre grave do rapper.
Mestre iniciou a carreira no audiovisual, no filme “Confissões de Adolescente”, e integrou o Bala Desejo, vencedor do Grammy Latino em 2022. TZ começou nas batalhas de rima do Morro do Limão, em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, em 2017. Depois, ganhou destaque no trap com “Anota Placa”, lançada seis anos atrás.
“Eu tenho uma voz mais aveludada e suave, enquanto TZ tem uma voz mais grave e forte”, diz Mestre. Para ela, as letras de Chico continuam provocando reflexão, inclusive em músicas compostas durante a ditadura militar.








