A programação de curtas do Festival do Rio reúne histórias sobre desejo, repressão, trauma, religião e liberdade sexual. Os filmes integram a Première Brasil, ala dedicada às estreias nacionais, e apresentam personagens que enfrentam conflitos com a própria identidade e com normas sociais.
Em “Santo”, dirigido por Maria Luísa Alves, um entregador de delivery distribui panfletos sobre o fim do mundo e tenta levar pessoas a uma igreja neopentecostal. A rotina muda quando ele conhece outro entregador, gay, que o apresenta a possibilidades de afeto e desejo ausentes dos sermões que marcaram sua formação.
João Pedro Mariano interpreta o protagonista de “Santo” e também está em “Consolo”, de Johnny Massaro. No segundo filme, ele vive o filho de um taxista de meia-idade que encontra um pênis de borracha sob a mesa da sala. A descoberta leva o homem a imaginar se o objeto pertence à mulher, à filha ou ao filho.
O protagonista de “Consolo” primeiro rejeita o brinquedo, mas depois passa a confrontar o que ele representa. Antes disso, o personagem é mostrado no carro, cercado pela atmosfera de desejo do Carnaval. Para Massaro, o filme propõe que um homem heterossexual enfrente o medo de sexualidades fora da norma.
“Ironicamente, o falo, símbolo máximo da virilidade, também é, muitas vezes, a raiz da insegurança masculina”, afirma Massaro. Para o ator e diretor, a noção de “macho” está ligada ao medo das possibilidades de ser, sentir e desejar.
Trauma, envelhecimento e hipocrisia
“Autor Desconhecido”, dirigido por Daniel Wierman e Paulo Menezes, acompanha um cineasta interpretado por Bruno Fagundes. Depois de sofrer uma agressão sexual, ele decide reencenar a violência em um projeto de cinema e procura atores para representar a si mesmo e o homem que teria colocado drogas em sua bebida. Ao reconstruir aquela noite, o personagem também investiga a própria identidade.
Em “Morfeu e Caronte”, Bayard Tonelli, ex-integrante do Dzi Croquettes, interpreta um homem envolvido em um musical onírico inspirado na era de ouro de Hollywood. A narrativa trata de afeto e sexo gay na terceira idade.
Já “Pique-Pega” coloca Carol Duarte e Malu Galli em confronto após um encontro casual durante uma festa. A personagem de Duarte carrega ressentimentos relacionados à filha da personagem de Galli e questiona o conservadorismo daquela mulher. Embora ela se apresente como progressista, sua história sugere que a hipocrisia pode existir em diferentes campos políticos.








