SÃO PAULO — Rochelle Jordan estreia no Brasil neste sábado, no Zig Festival, em São Paulo, levando ao palco um repertório que combina R&B, pop e gêneros ligados à música de pista. A cantora britânica também pretende aproveitar a passagem para ouvir os DJs brasileiros e dançar.
A relação de Jordan com os clubes passa pela ideia de comunidade e liberdade. Em “TTW”, faixa de “Through The Wall”, seu álbum mais recente, ela trabalha com vocais aerados e melodias suspensas. Para a artista, a pista de dança permite que as pessoas se deixem conduzir pelo ritmo.
“É um privilégio poder viver entre tantas pessoas e culturas diferentes, e minha música é um testemunho de como eu criei esse mundo sônico”, afirma Jordan.
Entre culturas e gêneros
Filha de jamaicanos, Jordan nasceu na Inglaterra e foi criada em Toronto, no Canadá. Essa trajetória aparece associada ao conceito de “Atlântico Negro”, formulado pelo teórico Paul Gilroy para tratar das relações culturais entre diásporas e migrações pelas costas dos continentes africano, europeu e americano.
A cantora diz ter crescido ouvindo referências variadas. Essa formação se reflete em uma obra que passa pelo house, techno, drum’n’bass, garage e new jack swing, sem se limitar ao R&B, à música dance ou ao pop.
A carreira começou com o álbum “1021”, lançado em 2014. A notoriedade veio com “Play with the Changes”, sete anos mais tarde. O disco inclui “Love You Good”, faixa de drum’n’bass que colocou Jordan entre a canção de pista e a vanguarda pop.
Jordan começou a trabalhar com o produtor KLSH em 2009, fazendo house. O R&B ganhou espaço primeiro, mas os dois retomaram a direção inicial em 2020. Para ela, a volta ao drum’n’bass marcou uma mudança importante no percurso musical.
Referências negras
A artista relaciona house e techno à música negra e cita cantoras como Robyn S, Crystal Waters e CeCe Peniston. Também menciona Aaliyah, Sade, Mariah Carey e Tina Turner como referências. Em “Ladida”, Jordan faz um aceno a “Gypsy Woman”, de Crystal Waters.
O álbum “Through The Wall” recebeu esse título em homenagem ao irmão de Jordan. Quando eram crianças, ela escutava através das paredes finas que separavam os quartos a música que ele ouvia.
A presença de elementos brasileiros aparece em “Sum”, que combina uma levada de bossa nova repaginada com batidas mais marcadas. Jordan também já trabalhou com Kaytranada e Sango, produtores que incorporam referências do Brasil em seus trabalhos. No funk, ela cita “Get It Off”, faixa com elementos do gênero e de jazz.
A artista ficará dois dias no Brasil. Entre compromissos de chegada, partida, passagem de som e apresentação, ela espera encontrar brasileiros e conhecer o que os DJs estão tocando. “O Brasil, as pessoas de herança africana, eles também são meu povo”, diz.








