SÃO PAULO — O documentário “A.K.”, do francês Chris Marker, registra o trabalho de Akira Kurosawa durante as filmagens de “Ran” e pode ser visto na plataforma Belas Artes à La Carte. A produção acompanha vários dias de gravação no fim de 1984 e mostra o cineasta dirigindo atores e orientando a equipe aos 74 anos.
Sem entrevistas ou cenas de arquivo, com exceção de uma foto de Kurosawa menino, o filme observa os métodos do diretor. Ele usava storyboards detalhados, ilustrados pelo próprio cineasta, exigia que as falas fossem ditas exatamente como estavam no roteiro e posicionava três câmeras em quase todas as cenas.
Em um momento registrado por Marker, Kurosawa reclama do excesso de fumaça em uma sequência e pega o lançador para demonstrar a um profissional como queria o efeito. “A fumaça precisa subir entre a câmera e o ator”, afirma o diretor.
Relançamento nos cinemas
“Ran” volta às salas em 1º de outubro, com exibições no Cine Belas Artes, em São Paulo, e no Cinesystem Belas Artes Botafogo, no Rio de Janeiro. Lançado originalmente em 1985, o filme é baseado em “Rei Lear”, de Shakespeare.
A trama acompanha um senhor feudal que divide seus domínios entre três filhos, provocando um conflito entre os irmãos. Tatsuya Nakadai interpreta o personagem principal e já havia trabalhado com Kurosawa em cinco filmes anteriores.
O longa foi uma coprodução entre a França e o Japão e, na época, tornou-se o filme mais caro realizado no Japão. A produção contou com cenários suntuosos, centenas de figurantes, 1.400 armaduras e 200 cavalos. “Ran” recebeu quatro indicações ao Oscar — direção, fotografia, figurino e direção de arte — e venceu na categoria de figurino.
Uma sequência mostra a equipe pintando de dourado um matagal para uma cena noturna, iluminada por holofotes amarelos e com uma lua cenográfica. Marker conta que, apesar do resultado, toda a cena foi retirada na montagem.








