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Patricio Guzmán deixa obra sobre memória e repressão no Chile

Cineasta morreu aos 85 anos após uma parada cardiorrespiratória em um hospital de Paris, nesta terça-feira (15).

Patricio Guzmán deixa obra sobre memória e repressão no Chile
Foto: Folhapress

Patricio Guzmán morreu na manhã desta terça-feira (15), aos 85 anos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória em um hospital de Paris. Fontes próximas ao cineasta afirmaram que ele tratava uma doença há três anos.

Cinema e memória

O diretor chileno construiu uma obra voltada à memória política de seu país. Em filmes como “A Batalha do Chile”, documentário dividido em três partes e lançado de 1975 a 1979, registrou as tensões dos anos 1970, o governo de Salvador Allende e o golpe militar que levou o general Augusto Pinochet ao poder.

Preso depois do golpe, Guzmán passou duas semanas detido no Estádio Nacional de Santiago, onde foi interrogado e sofreu pressão psicológica. Após ser libertado, deixou o Chile levando dezenas de horas de filmagens feitas na capital. Em Cuba, montou as três partes do documentário; as duas primeiras foram exibidas no Festival de Cannes.

No exílio, viveu entre Cuba, Espanha e França e não voltou a morar no Chile. A ditadura de Pinochet, a violência política e a preservação da memória nacional continuaram presentes em seus trabalhos. Em “Em Nome de Deus”, de 1987, abordou o papel da Igreja Católica chilena durante a ditadura.

“Nostalgia da Luz”, de 2010, relacionou o trabalho de cientistas no deserto do Atacama à busca de mães por restos mortais de familiares desaparecidos. Em “O Botão de Pérola”, de 2015, recorreu ao mar e aos povos indígenas da Patagônia. Já “A Cordilheira dos Sonhos”, de 2019, usou os Andes como testemunha dos anos de repressão.

Seu último filme, “Meu País Imaginário”, de 2022, acompanhou os protestos que ocuparam as ruas de Santiago em 2019. As manifestações reivindicavam mais igualdade social em educação, saúde e emprego.

Reconhecimento

Guzmán recebeu o Urso de Prata do Festival de Berlim pelo roteiro de “O Botão de Pérola”, além do prêmio Goya e do Olho de Ouro de Cannes por “A Cordilheira dos Sonhos”. Em 1997, fundou o Festival Internacional de Documentários de Santiago, o Fidocs.

Há três, recebeu o Prêmio Nacional de Artes da Representação e Audiovisuais, principal distinção cultural do Chile na área.

A 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, marcada para ocorrer de 15 a 29 de outubro, exibirá cópias restauradas inéditas de “O Primeiro Ano”, de 1972, e das três partes de “A Batalha do Chile”.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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