A retirada de Macklemore da turnê de Ed Sheeran nos Estados Unidos provocou a saída de outros artistas e colocou em dúvida a imagem pública do cantor britânico, conhecido por evitar disputas políticas.
Macklemore havia sido escalado para abrir os shows. Na primeira apresentação, o rapper disse “Palestina livre” e exibiu imagens da destruição na Faixa de Gaza. Na noite seguinte, chamou o número de mortos de genocídio, acusação rejeitada por Israel.
A organização StopAntisemitism acusou o músico de criar uma armadilha para o público. Donos de estádios e promotores pressionaram pela retirada, após uma semana de discussões nos bastidores.
Declaração de Sheeran
Em uma declaração publicada na terça-feira (15/9), Sheeran disse que a decisão foi dos promotores, e não dele. O cantor afirmou que tentou aproximar as partes e escreveu: “Estou indignado com o conflito entre Israel e a Palestina”.
Ele também explicou que evita usar sua plataforma profissional para tratar de política porque seu público inclui jovens e crianças de diferentes origens. Segundo Sheeran, seus shows são locais de segurança e refúgio baseados na humanidade comum.
A posição foi criticada pelo jornalista musical Jeffrey Ingold, que classificou como covardia a aparente aceitação da exclusão de Macklemore. Ingold afirmou que Sheeran poderia ter recusado apresentações em locais que não permitissem a participação do rapper ou buscado espaços alternativos.
Artistas deixam a turnê
Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham anunciaram que não participariam mais dos shows e manifestaram apoio a Macklemore. A banda irlandesa Beoga também desistiu. Finneas estava escalado para abrir as apresentações de Sheeran em São Paulo, no início de dezembro.
Os artistas disseram que a exclusão representava supressão da liberdade de expressão. A cantora Pink, que pertence à comunidade judaica, compartilhou um meme contra Macklemore e explicou por que desaprova os comentários feitos por ele.
Sheeran já havia se manifestado sobre temas políticos em outras ocasiões. Em 2018, vestiu uma camiseta com os dizeres “Justiça para Grenfell”. Em 2022, participou do Festival pela Ucrânia e, em 2026, gravou com a banda U2 uma canção de protesto sobre a guerra naquele país.
O cantor vendeu mais de 120 milhões de discos e passou mais de 1 mil semanas nas paradas de sucesso dos Estados Unidos. Também administra uma organização beneficente que oferece aulas de música para menores de 18 anos em Suffolk, na Inglaterra.
Jem Aswad, editor-executivo de música da revista Variety, afirmou que o episódio mostra que não é possível ser neutro nessa questão, mas duvidou de impactos expressivos na carreira. A próxima apresentação de Sheeran será na Filadélfia, neste sábado (19/9). A turnê termina em dezembro, no México.







