SÃO PAULO — A saída do rapper Macklemore da turnê de Ed Sheeran provocou reações divididas entre artistas e celebridades. Macklemore foi retirado das apresentações restantes depois de fazer uma declaração pró-Palestina durante um show de abertura.
A decisão foi atribuída por Sheeran à promotora Messina Touring Group. O cantor afirmou que não é cúmplice e disse ter opiniões pessoais sobre o conflito, embora escolha não se manifestar publicamente.
Macklemore divulgou um comunicado na segunda-feira (14), no qual afirmou que não era uma vítima e que as vítimas eram os palestinos. A declaração foi publicada após sua saída da turnê.
Artistas deixam os shows
Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram nesta terça-feira (15) que não abrirão mais os shows de Sheeran. Os quatro atos também manifestaram apoio à causa palestina.
Com as desistências, Sheeran ficou sem artistas de abertura para a série de concertos, que tem datas previstas até 11 de dezembro. Finneas participaria dos shows em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro. A Beoga também se apresentava com o cantor em trechos influenciados pela música tradicional irlandesa.
Finneas afirmou que artistas não devem ser silenciados por se manifestarem contra a opressão. Graham defendeu o direito de falar sobre guerra, civis mortos e crianças. Rowe e a Beoga mencionaram a experiência irlandesa com genocídio, fome forçada, ocupação violenta e colonialismo.
Sheeran ainda não comentou a saída dos demais artistas.
Críticas e defesas
O ator Javier Bardem convocou um boicote a Sheeran e criticou a justificativa de manter a turnê como um ambiente neutro e despolitizado. A cantora Pink compartilhou uma mensagem contra Macklemore e depois afirmou, como mãe judia, que a manifestação a assustou e também assustou pessoas próximas.
Robert Kraft, dono de um dos estádios que receberiam um show de Sheeran, defendeu o veto. Ele citou os comentários de Macklemore e um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que considerou ofensivos e prejudiciais à comunidade judaica.
Como começou
O caso teve início no dia 4 de setembro, quando Macklemore, durante a abertura de um show no MetLife Stadium, em Nova Jersey, gritou “Free Palestine” e disse que queria que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas.
A manifestação motivou uma petição do Conselho Israelense-Americano pela exclusão do rapper. A Messina Touring Group informou que os locais das apresentações seguintes não permitiriam Macklemore no elenco. Segundo a promotora, isso poderia cancelar a turnê e afetar centenas de milhares de fãs.
O rapper abriria oito dos dez shows restantes nos Estados Unidos. A retomada estava prevista para 19 de setembro, na Filadélfia. Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa estavam entre as cidades cujos locais teriam se oposto ao retorno.
Em junho, um comitê de investigação contratado pela Organização das Nações Unidas afirmou que Israel alvejou deliberadamente crianças na Faixa de Gaza. O relatório classificou as práticas como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, além de apontar que cerca de 30% dos 73 mil mortos na guerra em Gaza eram crianças.







